Relatos de transição capilar sob o olhar de uma crespa

  • Kátia Xavier-Zeca Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa
Palavras-chave: Cabelo Natural, Carapinha, Identidade, Transição capilar

Resumo

Nos últimos tempos, tem se vivenciado, movimentos de identidade associados à representatividade e à aceitação do cabelo natural. Assumir os fios como eles são tem sido uma forma de empoderamento e grito de liberdade ante a opressão vivida sob os modelos estéticos eurocêntricos. Seja no Brasil, seja na África, a exaltação pela aceitação do cabelo natural ganha força. Esse é o contexto do artigo Relatos de transição capilar sob o olhar de uma crespa, cujo objetivo é abordar processos vivenciados por algumas mulheres de Moçambique que passaram a exibir o seu cabelo natural. O foco está nas suas experiências e vivências. Para este artigo, recorreu-se à revisão documental embasada nos preceitos teóricos de bell hooks2, complementada com a técnica de amostragem por conveniência. Os dados foram reunidos por meio de um questionário aplicado a moçambicanas que fazem uso das redes sociais (Facebook). Levando em conta os resultados da pesquisa, pode-se concluir que a maioria das entrevistadas considera o processo de transição bom, sente-se satisfeita com a escolha e concorda que os produtos para cabelo natural são caros. Vale ressaltar que muitas dessas mulheres têm optado por tratar o cabelo em casa.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Kátia Xavier-Zeca, Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa

Doutoranda em Ciência Política na UFRGS. Mestre em Desenvolvimento e Cooperação Internacional. Professora assistente na Universidade Joaquim Chissano, Moçambique

Referências

ARAUJO, Marta; RODRIGUEZ MAESO, Silvia.; MENESES, Maria Paula G. Racismo e cidadania.

JANUS, [s. l.], 2010, p. 116-117. Disponível em: https://www.janusonline.pt/arquivo/ popups2010/2010_3_1_8.pdf. Acesso em: 1 jun. 2020.

EUGÉNIO JR., Amauri. Por que a sua “opinião” sobre cabelos crespos é racismo? 2018. Disponível em: https://www.vice.com/pt_br/article/mb5yq8/cabelos-crespos racismo. Acesso em: 16 dez. 2019.

FERRARI, Érica.; ASSIS, Juliana. A dimensão informacional da transição capilar: identidade e empoderamento nas mídias sociais. Revista Brasileira de Educação em Ciências da Informação, [s. l.], v. 4, n. 1, 2017, p. 74-95. Disponível em: http://abecin.org.br/portalderevistas/index.php/recebi%3E. Acesso em: 17 dez. 2019.

HOOKS, Bell. Straightening our hair. In: Talking back: thinking feminist, thinking black. New York: South end Press, 1989.

HOOKS, Bell. Feminism is for everybody: passionate politics. Canada: South end Press, 2000. Disponível em: doi: 10.4324/9781315743189-3. Acesso em: 12 dez. 2019.

INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICA. Resultados definitivos: censo 2017 IV

Recenseamento Geral da População e Habitação. 2019. Disponível em: http://www.ine.gov.mz/iv-rgph-2017/mocambique. Acesso em: 15 fev. 2020.

JORGE, Luísa. O Retorno a beleza do crespo. Jornal Domingo, Maputo, 2015. Disponível em: https://www.jornaldomingo.co.mz/index.php/sociedade/7521-o retorno-a-belezado-crespo. Acesso em: 10 dez. 2019.

KILOMBA, Grada. Políticas do cabelo. In: Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogo, 2019. p. 121-132.

MATOS, Lídia. Transição capilar como movimento estético e político. In: Seminário

Nacional De Sociologia da UFS, 2016, Sergipe. Anais... Sergipe: Editora, 2016, p. 845 858.. Disponível em https://ri.ufs.br/bitstream/riufs/12871/2/TransicaoCapilarMovimento.pdf . Acesso em: 17 dez. 2019.

MORAIS, Lorena. Da química ao natural: o processo de transição capilar. 2013. Disponível em: https://lorenamorais.wordpress.com/2013/11/20/da-quimica-ao natural-o-processode-transicao-capilar/. Acesso em: 15 nov. 2019.

OLIVEIRA, Danielle Christina do Nascimento. Meu cabelo não é só estética, é também política: os movimentos sociais e as narrativas visuais. Revista da ABPN, [s.l.], v. 8, n. 20,2016, p. 217-230.

OLIVEIRA, Ivani Francisco de. Versões de mulheres negras sobre a transição capilar: um estudo sobre processo de descolonização estética e subjetiva. Dissertação (Mestrado em Psicologia Social) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2019. Disponível em: https://tede2.pucsp.br/bitstream/handle/22176/2/Ivani Francisco de Oliveira.pdf. Acesso em: 06 jul. 2019.

PAULA, Bruna de. O que cabelo tem a ver com racismo? Geledés. 2014. Disponível em: https://www.geledes.org.br/o-que-cabelo-tem-ver-com-racismo/. Acesso em: 17 dez. 2019.

SILVA, Célia Regina Reis da. Crespos insurgentes, estética revolta memória e corporeidade negra paulistana, hoje e sempre. Tese (Doutorado em História Social) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2016. Disponível em: https://tede2.pucsp.br/bitstream/handle/19003/2/Célia Regina Reis da Silva.pdf. Acesso em: 6 jul. 2019

VIEIRA, Kauê. Black power: instrumento de resistência e cultura. 2019. Disponível em: http://www.afreaka.com.br/notas/black-power-instrumento-de-resistencia-e cultura/.Acesso em: 16 dez. 2019.

Publicado
2020-12-01
Como Citar
Xavier-Zeca, K. . (2020). Relatos de transição capilar sob o olhar de uma crespa. dObra[s] – Revista Da Associação Brasileira De Estudos De Pesquisas Em Moda, 15(30), 140-156. https://doi.org/10.26563/dobras.i30.1238
Seção
Dossiê