Monstros ou seres humanos? A aparência vestimentada de corpos políticos e a transformação de uma sensibilidade deteriorada

  • Baga de Bagaceira Souza Campos Universidade Federal da Bahia (UFBA); Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (PPGCOM/UFRB, 2019);
Palavras-chave: Humanidade, monstros, sensibilidade, vestimentas, queer

Resumo

A discussão proposta para este trabalho parte de um estudo empírico com as agentes de pesquisa Tikal Babado e Pai Amor e os seus modos de vestir. Interseccionamos tanto os seus gêneros e sexualidades desobedientes quanto a questão de raça para pensarmos em suas formas queers e sensíveis. Sua moda se faz presente dentro de uma percepção de humanidade que lançamos nesse jogo de regras que a sociedade dita como correto ou não. No intuito de potencializar seus discursos e suas maneiras de sentir e perceber as vestes, objetivamos destacar seus aspectos de humanidade, sensibilidade e corpo queer, recorrendo a autores como Foucault (1987; 2001), Munanga (1988), Butler (2003) e Cidreira (2005), entre outros.

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Biografia do Autor

Baga de Bagaceira Souza Campos, Universidade Federal da Bahia (UFBA); Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (PPGCOM/UFRB, 2019);

Doutorando pelo Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade. Mestre em Comunicação. Bacharel em Comunicação Social –Jornalismo (2017) pela mesma instituição. Foi membro do Coletivo Aquenda de Diversidade Sexual e de Gênero e do Grupo de Pesquisa Corpo e Cultura (cadastrado no CNPq).

Referências

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Publicado
2020-12-01
Como Citar
CAMPOS, B. DE B. S. Monstros ou seres humanos? A aparência vestimentada de corpos políticos e a transformação de uma sensibilidade deteriorada. dObra[s] – revista da Associação Brasileira de Estudos de Pesquisas em Moda, v. 15, n. 30, p. 39-63, 1 dez. 2020.
Seção
Dossiê