William Morris e a insurgência do ornamento

apagamento têxtil, trabalho e memória material

Autor/innen

DOI:

https://doi.org/10.26563/dobras.v18i45.1955

Schlagworte:

William Morris, Artes têxteis, Design de superfícies, Trabalho manual, Design têxtil

Abstract

Este artigo propõe uma releitura crítica da obra de William Morris à luz da noção de apagamento têxtil, compreendida como a marginalização histórica dos saberes ligados às superfícies ornamentadas, aos ofícios manuais e às práticas visuais não hegemônicas, frequentemente associadas ao espaço doméstico, ao trabalho feminino e ao fazer cotidiano. A partir da análise de seus textos e padronagens, examina-se de que modo o autor tensiona as dicotomias historicamente construídas, como arte e utilidade, ornamento e estrutura, trabalho e expressão e propõe, por meio do ornamento, uma linguagem visual pautada pela repetição significativa, pelo gesto manual e pela inscrição simbólica da experiência. Sua crítica à industrialização não se limita à denúncia das condições materiais do trabalho, ela propõe outra forma de existência mais sensível, mais lenta, mais enraizada no tempo das coisas e na dignidade dos processos. Ao reposicionar o ornamento como pensamento visual e o fazer artesanal como prática estética e política, Morris antecipa discussões centrais do design contemporâneo de superfícies. Nesse contexto, conceitos como os propostos por Ada Schwartz, que compreendem a superfície como dimensão representacional, constitucional e relacional, permitem aprofundar a atualidade de seu pensamento. Argumenta-se que suas superfícies ainda falam: narram histórias, organizam o olhar e propõem formas de resistência ao apagamento sensível que atravessa o presente.

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Autor/innen-Biografien

Fabrícia dos Santos Figueiró, Universidade do Estado de Minas Gerais; Centro Universitário UNA e Ânima Educação.

Doutoranda em Design pela Universidade do Estado de Minas Gerais. Mestra em Estudos de Linguagens pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais. Professora nas áreas de Moda, Design e Comunicação do Centro Universitário UNA e Ânima Educação.

Sérgio Antônio Silva, Universidade Federal de Minas Gerais; Universidade do Estado de Minas Gerais.

Doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Design da Universidade do Estado de Minas Gerais.

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Página com o título “[dossiê]” disposto na vertical à direita, sobre um fundo em tons de roxo e lilás. No centro, aparece o contorno difuso de uma mão espalmada vista através de um material translúcido, criando uma atmosfera etérea e abstrata. No canto inferior esquerdo, há uma pequena imagem retangular com formas suaves e tons semelhantes, reforçando o caráter artístico e experimental da composição.

Veröffentlicht

2025-11-28

Zitationsvorschlag

FIGUEIRÓ, Fabrícia dos Santos; SILVA, Sérgio Antônio. William Morris e a insurgência do ornamento: apagamento têxtil, trabalho e memória material. dObra[s] – revista da Associação Brasileira de Estudos de Pesquisas em Moda, [S. l.], v. 18, n. 45, p. 30–47, 2025. DOI: 10.26563/dobras.v18i45.1955. Disponível em: https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/article/view/1955. Acesso em: 29 nov. 2025.

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Rubrik

Dossiê