Tecendo ausências
corpos negros, práticas têxteis e o silêncio das narrativas no design e na moda
DOI:
https://doi.org/10.26563/dobras.v19i47.2041Palabras clave:
Design de Moda, Corpos Negros, Interseccionalidade, Práticas Decoloniais, Memória e MaterialidadeResumen
Este artigo examina como as práticas têxteis de pessoas negras são epistemologias próprias do fazer, tensionando os paradigmas eurocêntricos do design e propondo outras formas de produzir, narrar e lembrar. Adotando uma abordagem decolonial e interseccional, a pesquisa analisa as ausências de corpos negros na historiografia do design de moda brasileiro, investigando como raça, gênero e classe atravessam a constituição histórica do trabalho têxtil no país. Por meio de revisão bibliográfica situada, análise de narrativas históricas e exame de práticas contemporâneas, identifica-se como o fazer tecido negro opera como território de memória, resistência e criação política. Os resultados demonstram que as práticas têxteis negras — historicamente situadas nos espaços domésticos, nas bordas da indústria e nas margens das artes — configuram uma episteme que desafia a colonialidade do saber no design. Concluir que reinterpretar o campo do design de moda brasileiro a partir das trajetórias e práticas de pessoas negras é fundamental para uma historiografia decolonial que reconheça o fazer têxtil como território político de transformação social.
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