Costurando sonhos nas encruzilhadas da profissionalização, rede de cuidado e upcycling de resíduos têxteis
DOI :
https://doi.org/10.26563/dobras.v19i47.2025Mots-clés :
Costureiras, Mães, Moda, Cuidado Comunitário, UpcyclingRésumé
Este artigo reflete sobre a atuação do Instituto Costurando Sonhos, um espaço de profissionalização de costureiras, que atende mulheres em situação de vulnerabilidade social na comunidade de Paraisópolis, na cidade de São Paulo. Metodologicamente, o estudo baseia-se em abordagem qualitativa, utilizando fontes bibliográficas, documentais, entrevistas, observação e pesquisa participante. Analisa-se a atuação do Instituto a partir de três pilares interligados: 1) capacitação técnica em costura; 2) criação de uma rede de cuidado comunitário, especialmente para mães solo; e 3) implementação de um modelo de negócios baseado no upcycling de resíduos têxteis pós-consumo de grandes empresas. Os resultados revelam contradições inerentes a atuações dentro de um sistema capitalista e patriarcal. Por exemplo, o upcycling enfrenta desafios por seu tempo de produção e custo, frente a um mercado orientado pela lógica do mais rápido e mais barato, demandando assim, um amplo processo educacional sobre a responsabilidade para a sustentabilidade. Outro aspecto é que a costura se apresenta como prática ambivalente: por um lado reproduz estruturas capitalistas e patriarcais; por outro, torna-se instrumento de agenciamento para as mulheres, de confiança, cuidado comunitário e independência financeira. Conclui-se que o Instituto se consolida como uma iniciativa à frente do movimento de mulheres em busca de autonomia financeira e autoestima, assim como por uma moda mais ética e sustentável, na medida que projeta futuros alternativos. Em suma, mesmo com contradições que o próprio sistema impõe, trata-se de uma perspectiva de resistência aos paradigmas vigentes.
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OMITIDO para revisão cega. 2023
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