Chamada para artigos, resenhas e entrevistas de temática livre fluxo contínuo.

2020-09-28

A dObra[s] recebe em fluxo contínuo submissões de artigos, resenhas, entrevistas e traduções de temática que contemple o escopo da revista. Para mais informações acesse https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/diretrizes"

Próximos dossiês com chamadas de trabalhos abertas:

Número 52:

Consultoria de Imagem e Identidades

Organizadoras/es:

Dra. Josenilde S. Souza – Centro Universitário Belas Artes
Dra. Maria Alice Ximenez – Faculdade Estadual de Americana (FATEC)

Prazo para envio de artigos: 31 de março de 2027

Previsão de publicação: dezembro de 2027

Diariamente, realizamos um ritual aparentemente ordinário ao escolher, no guarda-roupa, as vestimentas que irão compor nossa aparência. Essa prática envolve a articulação entre roupas, combinação de cores, acessórios e óculos o cuidado com o penteado e a maquiagem diante do espelho, bem como a escolha de perfumes, protetor solar e cosméticos. Embelezamo-nos para sair e nos apresentar ao outro — seja no ambiente de trabalho, em eventos sociais ou em situações de exposição pública e privada. Essas escolhas reiteradas, longe de serem neutras ou meramente funcionais, constituem uma gramática visual da consultoria de imagem e do visagismo, capaz de traduzir identidades, comunicar valores e expressar posicionamentos simbólicos e culturais no mundo social.

 

A moda, compreendida como fenômeno cultural dinâmico, renova-se continuamente a partir de tendências impulsionadas pelo mercado de consumo e disseminadas por meio de desfiles, revistas especializadas, mídias digitais e pelas práticas cotidianas nas ruas. Contudo, nem a moda nem as tendências, isoladamente, são suficientes para orientar o sujeito sobre como se vestir ou sobre como experienciar o próprio corpo no uso das roupas. Para além do consumo das peças disponíveis em araras e vitrines, torna-se fundamental compreender as dimensões do ser e do parecer, bem como as relações entre corpo, subjetividade e representação.

O reconhecimento das proporções corporais, da estatura, das linhas e dos volumes contribui para escolhas mais conscientes de modelagens e caimentos, capazes de valorizar o corpo e ampliar tanto o conforto físico quanto o simbólico. Nesse sentido, a moda deixa de ser apenas um sistema de tendências e passa a operar como um campo de mediação entre identidade, desejo e reconhecimento social. A simples adesão às imagens hegemônicas veiculadas pelas redes sociais e pelos discursos mercadológicos revela-se insuficiente para responder à complexa relação que os indivíduos estabelecem com as roupas que vestem e com a imagem que projetam.

É nesse contexto que o consultor de imagem surge como um profissional acionado para cocriar e coorientar a identidade visual do outro, elaborando narrativas que visam ao fortalecimento da reputação e à construção de uma aparência coerente com valores, desejos e objetivos, tanto no âmbito pessoal quanto no profissional. Entretanto, durante a pandemia de covid-19, observou-se uma intensificação da sobreposição entre as esferas pública e privada, uma vez que os indivíduos passaram a exercer suas atividades profissionais nos espaços domésticos, em decorrência do isolamento social instaurado entre 2020 e 2021. Aquele cenário produziu impactos profundos nas dimensões social, cultural, política e econômica da vida contemporânea, redefinindo práticas, hábitos e formas de apresentação de si.

Paralelamente, o crescimento das plataformas digitais e do comércio eletrônico promoveu transformações significativas no campo da consultoria de imagem. Diante desse novo contexto, os profissionais da área passaram a adaptar suas práticas para atendimentos remotos, utilizando plataformas online, aplicativos e, mais recentemente, tecnologias baseadas em inteligência artificial. Assim, a consultoria de imagem deixou de ser um serviço estritamente elitizado e restrito a um público reduzido, aproximando-se de uma lógica semelhante ao prêt-à-porter: mais acessível, flexível e difundida entre diferentes perfis de consumidores.

O dossiê “Consultoria de Imagem e Identidades” se propõe a compreender criticamente esse fenômeno, que vem ressignificando o sistema de consumo da moda ao deslocar o foco do produto para a experiência. Seu objetivo é ampliar as fronteiras do vestir para além dos padrões hegemônicos, fomentando debates sobre diversidade, decolonialidade, inclusão, autoestima, pertencimento e reconhecimento do sujeito na sociedade contemporânea.

Ao articular campos como semiótica, antropologia, moda, comunicação, design, psicologia e áreas afins que dialogam com a consultoria de imagem, o presente dossiê acolherá contribuições em diferentes formatos, estando aberto à submissão de:

  • Artigos autorais e inéditos que promovam análises críticas sobre o mercado da Consultoria de Imagem, seus modos de produção, seus regimes de pensamento e suas implicações éticas, estéticas e simbólicas.
  • Traduções inéditas para o português de textos clássicos ou contemporâneos que abordem diretamente a temática da consultoria de imagem.
  • Resenhas críticas de obras recentes que dialoguem com o campo da Consultoria de Imagem e beleza.
  • Entrevistas nacionais e internacionais com pesquisadores, profissionais ou agentes cujas trajetórias e reflexões dialoguem com a temática proposta por este dossiê.

Serão bem-vindas contribuições interdisciplinares oriundas de diferentes campos do saber que utilizem referenciais teóricos consistentes para refletir sobre questões relacionadas à criação, mercado, circulação, consumo e representação simbólica e material da Consultoria de Imagem e Visagismo.

Esse campo de estudo contribui para o debate sobre os limites e potências da imagem, desta forma, reconhecendo o consultor de imagem não apenas como agente, mas também como sujeito afetado e moldado por dinâmicas sociais, afetivas e midiáticas. “A consultoria de imagem está fundamentada, de uma forma global, no propósito de potencializar ou ressaltar as qualidades estéticas do indivíduo, seja em um ambiente específico ou diferentes ambientes. A consultoria de imagem não é um ramo profissional que está baseado apenas nas mudanças da moda e suas tendências, mas na especialidade em fazer a avaliação da imagem discursiva da pessoa para colocar essa imagem em relação discursiva com pessoas e ambientes” (Souza, 2024, p.13).  Em tempo, a área em questão aponta para a urgência de abordagens mais plurais, éticas e integradoras na formação e atuação de profissionais, ampliando o campo da consultoria de imagem como espaço de escuta, construção de narrativas e reconhecimento da diversidade estética contemporânea.

Por fim, o Dossiê, tem como objetivo elucidar como a Consultoria de Imagem se constitui enquanto campo de pesquisa, autoridade simbólica e de legitimação profissional, considerando os atravessamentos de gênero, ancestralidade, diversidade, estética, cultura digital e mercado. 

REFERÊNCIAS

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ARAÚJO, L. Livro do cabelo. São Paulo: Leya, 2012.

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BAUMAN, Z. Tempos líquidos. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2007.

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CASTILHO, K. Moda e linguagem. São Paulo: Editora Anhembi Morumbi. 2009.

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OLIVEIRA, A. C. (Org.). Do sensível ao inteligível: duas décadas de construção de sentido. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2014. 

OLIVEIRA. A. C. Semiótica plástica. São Paulo: Hacker, 2004. 

FEATHERSTONE, M. The Body in Consumer Culture. Theory, culture & society. London: Sage Jounals, 2001. Disponível em https://bit.ly/3LBqEvm. Acesso em: 26 mar. 2022.

FLOCH, J-M. Identités visuelles. Formes sémiotiques. Presses Universitaires de France, 1995.

FLÜGEL, J. C. A psicologia das roupas. Trad. Antônio Ennes Cardoso. São Paulo: Editora Mestre Jou, 1966. 

HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. Trad. Tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro. 12ed. Rio de Janeiro: Lamparina, 2019.

HAN, B.-C. A expulsão do outro: sociedade, percepção e comunicação hoje. Trad. Lucas Machado. Petrópolis: Vozes, 2022.

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MERLEAU-PONTY, M. Fenomenologia da percepção. Trad. Carlos Alberto Ribeiro de Moura. São Paulo: Martins Fontes, 2011.

MICHEL M. No fundo das aparências.  São Paulo: Vozes, 2010.

MOTTA, E. O lugar maldito da aparência. Crônicas de moda. São Paulo: Editora Estação das Letras e Cores, 2013.

SOUZA, J. Gramática da Consultoria de Imagem. São Paulo: Estações das Letras, 2024.

LIPOVETSKY, G. O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

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PASTOUREAU, M. Dicionário das cores do nosso tempo. Lisboa: Editorial Estampa, 1997.

PRECIADO, P. B. Testo yonqui: sexo, drogas y biopolítica. Buenos Aires: Paidós, 2014. 

SANT’ANNA, D. B. de. É possível realizar uma história do corpo? In: SOARES, C. (Org.). Corpo e história. 3ed. Campinas: Autores Associados, 2006.

RANCIÈRE, J. O destino das imagens. Rio de Janeiro: Contraponto, 2012.

ROCHE, D. A cultura das aparências. São Paulo: Editora SENAC, 2007.

SIMMEL, G. Filosofia da moda e outros escritos. Lisboa: Edições Texto & Grafia, 2008.

VIGARELLO, G. História da beleza: o corpo e a arte de se embelezar do Renascimento aos dias de hoje. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006.

VITA, A. C. R. História da maquiagem, da cosmética e do penteado: em busca da perfeição. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2008. 

WEISS, A. A bíblia da consultoria: métodos e técnicas para montar e expandir um negócio de consultoria. São Paulo: Autêntica Business, 2017. 

WOLF, N. O mito da beleza: como as imagens de beleza são usadas contra as mulheres. Trad. Waldéa Barcellos. Rio de Janeiro: Ed. Rosa dos Tempos, 1992.

XIMENES, M. A. Moda e Arte no redesenho do corpo feminino do século XIX. 2ª. ed. São Paulo Editora Estação das Letras e Cores, 2011.

Número 51:

Terminologia e patrimônio do vestuário na língua portuguesa

Organizadoras/es:

Dra. Susana Duarte Martins (CLUNL – Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa, NOVA FCSH – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Portugal)

Dra. Maria Cristina Volpi (Escola de Belas Artes – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)

Dra. Carla Alferes Pinto (CHAM - Centro de Humanidades, FCSH, Universidade NOVA de Lisboa e Departamento de História, FCSH, Universidade NOVA de Lisboa, Portugal)

Prazo para envio de artigos: 31 de março de 2027

Previsão de publicação: dezembro de 2027

O estudo da terminologia, história e culturas do vestuário e da moda tem-se afirmado nas últimas décadas, revelando-se um dos campos de trabalho acadêmico mais estimulante, multi- e transdisciplinarmente.

O vestuário desempenha um papel relevante como “duplicação figurativa da ordem social” (Roche, 2007), refletindo mudanças sociais, políticas e valores culturais, servindo simultaneamente como ferramenta poderosa para a autoexpressão, criação de laços comunitários ou desafio às normas, permitindo que as diferentes partes envolvidas no processo de criação de moda criem significado e promovam conexões globais através do patrimônio e do storytelling (Jones & Stallybrass, 2000; Welch, 2017; Matteucci, 2019).

Assumindo-se a terminologia como uma ciência multidisciplinar, que se dedica ao estudo dos termos, conceitos e suas relações, os objetos, conceitos, designações e definições são parte fundamental das suas práticas (ISO 704, 2022). Esta nos permite estudar os termos de um domínio de especialidade, possibilitando a observação da evolução das designações dos objetos ao longo do tempo e suas definições, assim como o desaparecimento de termos que designam conceitos obsoletos em prol da criação de novos termos para responder a novas realidades. O dinamismo das novas tendências da moda acompanha, pois, a sua terminologia no passado, no presente e no futuro.

Apesar de esforços mais recentes, como a publicação da versão portuguesa do Vocabulário de Termos Básicos para Catalogação do Traje (VBT) do Conselho Internacional de Museus (ICOM) (Volpi & Duarte Martins, 2025) e a realização do colóquio internacional “What’s costume got to do with terms? Terminologia e patrimônio do vestuário na língua portuguesa” (Universidade Nova de Lisboa, 7-8 de abril de 2026), a bibliografia de referência da terminologia do vestuário em português, em particular dicionários e enciclopédias, consiste na sua maioria em traduções de obras de autores de língua estrangeira. Esta problemática, reconhecida por historiadores da moda nos seus trabalhos precursores (por exemplo, Boucher, 2012), agudiza-se no caso da língua portuguesa, uma vez que a  escassez de fontes textuais e visuais é mais notória, se agravando quanto mais se recua no tempo (Pinto, Garcia & Fragoso, 2023).

A problemática do eurocentrismo vs. multiculturalismo, a identidade sexual e de gênero, a relação entre a moda e outras manifestações culturais, teorias da moda, a cultura material e do vestuário, o sistema da moda, desde o seu design e fabrico ao marketing e representação da moda (Steele, 2005), a disponibilização de vocabulário especializado com definições orientadas para o domínio da moda, contribuindo para a criação de neologismos (Picken, 2013), são questões que se apresentam no emprego dos termos em estudos sobre vestuário e moda, bem como na escolha dos termos empregados na indexação de peças de vestuário e acessórios em acervos museológicos. A caracterização visual do vestuário e calçado (seja através da pintura, escultura, desenho ou outras formas de representação visual) assume especial destaque na investigação sobre a história e patrimônio do vestuário (Hollander, 1978; Palla, 1999; Malcolm-Davies & Mikhaila, 2006; Melchior & Svensson, 2014; Rublack & Hayward, 2015; Cantista & Delille, 2022), servindo como complemento às definições. Nestas obras, são identificados casos de vários termos usados para designar uma mesma peça de vestuário, polissemias e variantes ortográficas, sendo ainda de destacar a variação do significado dos termos e a alteração de designações de peças de vestuário consoante o período histórico (Passot, 2019).

Neste sentido, o presente dossiê temático visa abrir a discussão às problemáticas de natureza histórica e linguística que sustentam a terminologia do vestuário no mundo lusófono, tais como:

  • o papel das terminologias do vestuário na construção do léxico de uma língua e da sua cultura através da literatura e das artes;
  • o vestuário na sua relação com os acervos museológicos e a necessidade de terminologias para a devida catalogação de peças de vestuário e acessórios em diferentes períodos históricos;
  • as contribuições das terminologias e glossários para a indústria da moda e os objetivos de desenvolvimento sustentável, a formação de profissionais, a tradução e o ensino de línguas para fins específicos;
  • a fixação e estabilização da terminologia da moda e do vestuário visando a transferência do conhecimento especializado;
  • boas práticas para a gestão de terminologias no domínio do vestuário;
  • metodologias de validação de termos e seus equivalentes no contexto das estratégias de mediação entre especialistas, tradutores e linguistas;
  • a importância da imagem para a elaboração de definições das peças de vestuário;
  • os neologismos e os empréstimos linguísticos de ontem e de hoje na terminologia da moda;
  • o reconhecimento do patrimônio do vestuário como um campo de trabalho em expansão que permite a ligação da academia à indústria.

Referências

BOUCHER, François. História do vestuário no Ocidente: das origens aos nossos dias. Tradução de André Telles. 1.ª reimpr. São Paulo: Cosac & Naify, 2012. [1965, 1983, 1996, 2008].

CANTISTA, Isabel; DELILLE, Damien (Eds.). Fashion heritage: narrative and knowledge creation. Cham, Suíça: Palgrave Macmillan, 2022.

HOLLANDER, Anne. Seeing through clothes. Berkeley: University of California Press, 1978.

INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 704:2022 – Terminology work – Principles and methods. Geneva: International Organization for Standardization, 2022. Disponível em: https://www.iso.org/standard/79077.html. Acesso em: 31 jan. 2026.

JONES, Ann Rosalind; STALLYBRASS, Peter. Renaissance clothing and the materials of memory. Cambridge: Cambridge University Press, 2000.

MALCOLM-DAVIES, Jane; MIKHAILA, Ninya. The Tudor tailor: reconstructing sixteenth-century dress. London: Batsford, 2006.

MATTEUCCI, Giovanni. Fashion. In: International Lexicon of Aesthetics. Autumn Edition, 2019. Disponível em: https://lexicon.mimesisjournals.com/archive/2019/autumn/Fashion.pdf. DOI: 10.7413/18258630066. Acesso em: 31 jan. 2026.    

MELCHIOR, Marie Riegels & SVENSSON, Birgitta. Fashion and Museums. Theory and Practice. London: Bloomsbury Publishing, 2014.

PALLA, Maria José. Traje e pintura: Grão Vasco e o retábulo da Sé de Viseu. Lisboa: Editorial Estampa, 1999.

PASSOT, Sébastien. “Are you sure this is what he means?” Considerations on dress terminology in French sources and their subsequent translation. In: KAMMELL, Frank Mathias; PIETSCH, Johannes (ed.). Structuring fashion: foundation garments through history. München: Bayerisches Nationalmuseum; Himer Verlag GmbH, 2019. p. 63–71.

PICKEN, Mary Brooks. A dictionary of costume and fashion: historic and modern. New York: Dover Publications, 2013.

PINTO, Carla Alferes; GARCIA, Ana Catarina; FRAGOSO, Íris. From the sea to the land: an archaeological study of Iberian footwear during the early modern period. Heritage, v. 6, n. 2, p. 867–890, 2023. DOI: 10.3390/heritage6020048. Disponível em: https://www.mdpi.com/2571-9408/6/2/48. Acesso em: 31 jan. 2026.

ROCHE, Daniel. A cultura das aparências: uma história da indumentária (séculos XVII-XVIII). Tradução Assef Kfouri. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2007.

RUBLACK, Ulinka; HAYWARD, Maria. The first book of fashion: the books of clothes of Matthäus & Veit Konrad Schwarz of Augsburg. London: Bloomsbury, 2015.

STEELE, Valerie (Ed.). Encyclopedia of clothing and fashion. v. 1. Detroit: Charles Scribner’s Sons, 2005.

VOLPI, Maria Cristina; DUARTE MARTINS, Susana (Coords.). Vestuário feminino / Women’s garments. Vestuário masculino / Men’s garments. Vestuário infantil / Children’s garments. In: The Vocabulary of Basic Terms for the Cataloguing of Costume – Portuguese Version. ICOM – International Committee for Museums and Collections of Costume, 2025. Disponível em: https://costume.mini.icom.museum/publications-2/terminology/. Acesso em: 31 jan. 2026.

WELCH, Evelyn (Ed.). Fashioning the early modern: dress, textiles, and innovation in Europe, 1500-1800. Oxford: Oxford University Press, 2017.

Número 50:

dObra[s] 50: um panorama das pesquisas e estudos sobre moda no Brasil

Organizadoras/es:

Dra. Valéria Faria dos Santos Tessari – Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Dr. Henrique Grimaldi Figueredo – Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Dr. Felipe Goebel - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Prazo para envio de artigos: 30 de setembro de 2026

Previsão de publicação: agosto de 2027

Um bom caminho foi trilhado desde que os primeiros estudos sobre moda enfrentavam resistências no meio acadêmico brasileiro. Foram conquistados espaços dentre os temas de pesquisa e investigação dignos de serem levados a sério na grande área das Humanidades, expandindo-se das Artes e Letras até a História e as Ciências Sociais. Foram criadas graduações, pós-graduações, grupos de pesquisa, eventos científicos e publicações específicas sobre o fenômeno da moda, das aparências e da indumentária; em suma, sobre o corpo vestido e suas múltiplas modalidades culturais e sociais. Das publicações brasileiras, a mais longeva é a revista dObra[s], que em 2027 completará 20 anos, chegando a sua 50a edição.

Para comemorar esta trajetória convidamos pesquisadoras/es doutoras/es a submeterem artigos ao dossiê especial “dObra[s] 50: um panorama das pesquisas e estudos sobre moda no Brasil”.  A presente proposta intenciona compilar em nossa revista um quadro da excelência em pesquisas que fizeram e continuam a fazer o campo acadêmico sobre moda, e registrar os estudos mais relevantes que construíram o conhecimento sobre a moda e temas correlatos no e sobre o Brasil, em uma perspectiva de reflexão crítica.

 Serão bem-vindos artigos que constituam trajetórias, balanços e revisões de pesquisas em moda pelos vieses das Ciências Humanas e Sociais. Dessa forma, estudos sobre a moda e aparências em suas múltiplas relações com a História, Sociologia, Antropologia, Filosofia, Comunicação Social, memória, emoções, artes, imprensa, sustentabilidade, sexo e gênero, sexualidades, etnias, classe, consumo, produção dos corpos, meios digitais. Assim como sobre o campo de estudos em si, seu histórico, suas perspectivas para o futuro, tendências e desafios. Neste sentido, apreciaremos:               

- Trajetórias históricas, sociais e culturais sobre o conhecimento acadêmico de, sobre e a partir da moda, construído ao longo das últimas décadas no e sobre o Brasil;

- Balanços da construção do conhecimento científico sobre moda, que mapeiem avanços na área, estados da arte e panoramas de pesquisas;

- Revisões críticas e atualizações ampliadas de estudos fundamentais já publicados em edições anteriores da dObra[s] e que se tornaram referência por discutirem novos conceitos, teorias ou métodos importantes para a área.

Este dossiê é, portanto, comemorativo e busca celebrar e reconhecer o trabalho que pesquisadoras/es realizaram ao longo das últimas décadas, os quais ao mesmo tempo construíram o campo de estudos em moda no Brasil. Desta maneira, a chamada para submissões está direcionada a pesquisadoras/es doutoras/es sêniores, com produção há pelo menos 10 anos em suas respectivas especialidades.

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BERLIM, Lilyan. Moda e sustentabilidade: uma reflexão necessária. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2014.

BONADIO, Maria Claudia; SILVA, Elisabeth Murilho da. (orgs.) História e historiografia da moda. São Paulo: Alameda Editorial, 2024. 

BONADIO, Maria Claudia. Moda e sociabilidade: mulheres e consumo na São Paulo dos anos 1920. São Paulo: Editora Senac SP, 2007.

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BUENO, Maria Lucia; CRANE, Diana (Orgs.). Dossiê Moda e Teoria Social, Iara - Revista de Moda, Cultura e Arte. São Paulo, v.1, n°1, 2008.

CIDREIRA, Renata Pitombo. Os sentidos da moda. São Paulo: Annablume, 2005.

CIDREIRA, Renata Pitombo. Moda e crítica: prazer, julgamento e avaliação. Salvador: EDUFBA, 2022.

MATTOS, Maria de Fátima da Silva Costa Garcia de. (Org.). Pesquisa e formação em moda. São Paulo: Abepem/Estação das Letras e Cores, 2015.

MELLO E SOUZA, Gilda. O espírito das roupas: a moda no século XIX. São Paulo: Cia. das Letras, 1987. 

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OLIVEIRA, Ana Claudia Mei Alves de; CASTILHO, Kathia (Orgs.). Corpo e moda: por uma compreensão do contemporaneo. Barueri-SP: Estação das Letras e Cores, 2008.

OLIVEIRA, Ana Claudia Mei Alves de (Org.). Sociossemiótica I: moda, consumo, construção de imagem. Barueri: Estação das Letras e Cores, 2021.

RAINHO, Maria do Carmo Teixeira. Moda e revolução nos anos 1960. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2014.

RAINHO, Maria do Carmo T. A moda como campo de estudos do historiador: balanço da produção acadêmica no Brasil. In: Anais 11º Colóquio de Moda, 8ª Edição Internacional, Curitiba, 2015. v. 1.

SALLES, Manon. Museologia da moda – acervos e coleções no Brasil. 1. ed. São Paulo: Alameda Casa Editorial, 2023. 

SANTANNA, Denize Bernuzzi de. História da beleza no Brasil. São Paulo: Contexto, 2014.

SANTANNA, Mara Rúbia. Teoria de moda: sociedade, imagem e consumo. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2007.

VIANA, Fausto. O traje de cena como documento. 2a ed. São Paulo: ECA/USP, 2024.

Número 49:

Dossiê 49

Moda e Filosofia: entre produções e pensamentos

Organizadora/or:

Larissa Almada - Senac-SP
Guido Conrado - Senac-RJ

Prazo para envio de artigos: julho 2026

Previsão de publicação: abril e/ou agosto 2027

Vestir, criar, desenvolver, comercializar moda são atos [poéticos] de produção social. Dizemos poético em razão de poesia e produção terem a mesma origem no grego – poiesis – e com isso queremos chamar atenção para o fato de que produzir moda não pode ser confundido com apenas a fabricação matérica de roupas e acessórios. Aqui entendemos a moda, também, como um dispositivo de produção de subjetividade, um campo expandido para a compreensão dos modos de viver e de se organizar em sociedade.

Historicamente, diversos pensadores do campo da filosofia se debruçaram sobre a complexidade deste fenômeno que é a moda em vista de suas implicações éticas, estéticas, políticas, etc. Por essa mesma razão, também é muito recorrente que pesquisadores do campo da moda se utilizem cada vez mais de autores da filosofia para aprofundar suas análises a respeito das práticas de criação, produção e circulação dessas formas e artefatos vestíveis.

O presente dossiê pretende oferecer um espaço explícito de diálogos e cruzamentos entre os campos da moda e da filosofia, com vistas a compartilhar não apenas evidências das contribuições da moda para o campo da reflexão filosófica, por meio de resenhas ou comentários críticos que versem sobre pensadores que se debruçaram sobre o tema, mas também do campo da filosofia para a reflexão sobre moda por meio de produções do campo da moda que se valem de conceitos filosóficos como matéria produtiva e de produções filosóficas originais contemporâneas cujo foco seja o de enxergar no vasto campo da produção e do consumo de moda um solo para a reflexão filosófica.

O principal objetivo deste dossiê é oferecer um espaço de visibilidade e debate acadêmico para os modos de relação não-disciplinados entre moda e filosofia. Desejamos fomentar diálogos interdisciplinares ou não-disciplinares, reunindo contribuições que explorem a moda como objeto de reflexão filosófica e que utilizem o pensamento filosófico como ferramenta para a análise crítica da moda. Promover cruzamentos entre perspectivas estéticas, éticas e políticas considerando o campo da moda nos contextos de sua produção simbólica e material.

Ao fazer isso, pretendemos não apenas enriquecer o campo dos estudos de moda, mas também demonstrar sua pertinência e potência temática para a filosofia em seu esforço de compreensão dos fenômenos sociais contemporâneos.

Com o intuito de contemplar a diversidade de abordagens que a intersecção entre moda e filosofia permite, o presente dossiê pretende acolher trabalhos em diferentes formatos, estando abertos à submissão de:

Traduções: Receberemos traduções inéditas para o português de textos filosóficos, clássicos ou contemporâneos, que tratem diretamente de temas como moda nos contextos produtivos e simbólicos.

Resenhas: Serão bem-vindas resenhas críticas de obras filosóficas, recém-lançadas ou de relevância histórica, que abordem a temática da moda e suas implicações sociais e culturais.

Reflexões Filosóficas: Encorajamos o envio de artigos autorais que apresentem reflexões filosóficas originais sobre a moda, seus modos de produção, os seus regimes de pensamento.

Contribuições Interdisciplinares: Acolheremos também artigos e análises do campo da moda que se utilizem de referenciais filosóficos consistentes para pensar questões relativas à criação, produção, circulação, consumo, representação simbólica e material da moda e do vestuário.

Entrevistas: teremos também prazer em receber entrevistas cujos temas sejam aderentes à temática deste dossiê.

REFERÊNCIAS

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