Chamada para artigos, resenhas e entrevistas de temática livre fluxo contínuo.

2020-09-28

A dObra[s] recebe em fluxo contínuo submissões de artigos, resenhas, entrevistas e traduções de temática que contemple o escopo da revista. Para mais informações acesse https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/diretrizes"

Próximos dossiês com chamadas de trabalhos abertas:

Número 51:

Terminologia e patrimônio do vestuário na língua portuguesa

Organizadoras/es:

Dra. Susana Duarte Martins (CLUNL – Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa, NOVA FCSH – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Portugal)

Dra. Maria Cristina Volpi (Escola de Belas Artes – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)

Dra. Carla Alferes Pinto (CHAM - Centro de Humanidades, FCSH, Universidade NOVA de Lisboa e Departamento de História, FCSH, Universidade NOVA de Lisboa, Portugal)

Prazo para envio de artigos: 31 de março de 2027

Previsão de publicação: dezembro de 2027

O estudo da terminologia, história e culturas do vestuário e da moda tem-se afirmado nas últimas décadas, revelando-se um dos campos de trabalho acadêmico mais estimulante, multi- e transdisciplinarmente.

O vestuário desempenha um papel relevante como “duplicação figurativa da ordem social” (Roche, 2007), refletindo mudanças sociais, políticas e valores culturais, servindo simultaneamente como ferramenta poderosa para a autoexpressão, criação de laços comunitários ou desafio às normas, permitindo que as diferentes partes envolvidas no processo de criação de moda criem significado e promovam conexões globais através do patrimônio e do storytelling (Jones & Stallybrass, 2000; Welch, 2017; Matteucci, 2019).

Assumindo-se a terminologia como uma ciência multidisciplinar, que se dedica ao estudo dos termos, conceitos e suas relações, os objetos, conceitos, designações e definições são parte fundamental das suas práticas (ISO 704, 2022). Esta nos permite estudar os termos de um domínio de especialidade, possibilitando a observação da evolução das designações dos objetos ao longo do tempo e suas definições, assim como o desaparecimento de termos que designam conceitos obsoletos em prol da criação de novos termos para responder a novas realidades. O dinamismo das novas tendências da moda acompanha, pois, a sua terminologia no passado, no presente e no futuro.

Apesar de esforços mais recentes, como a publicação da versão portuguesa do Vocabulário de Termos Básicos para Catalogação do Traje (VBT) do Conselho Internacional de Museus (ICOM) (Volpi & Duarte Martins, 2025) e a realização do colóquio internacional “What’s costume got to do with terms? Terminologia e patrimônio do vestuário na língua portuguesa” (Universidade Nova de Lisboa, 7-8 de abril de 2026), a bibliografia de referência da terminologia do vestuário em português, em particular dicionários e enciclopédias, consiste na sua maioria em traduções de obras de autores de língua estrangeira. Esta problemática, reconhecida por historiadores da moda nos seus trabalhos precursores (por exemplo, Boucher, 2012), agudiza-se no caso da língua portuguesa, uma vez que a  escassez de fontes textuais e visuais é mais notória, se agravando quanto mais se recua no tempo (Pinto, Garcia & Fragoso, 2023).

A problemática do eurocentrismo vs. multiculturalismo, a identidade sexual e de gênero, a relação entre a moda e outras manifestações culturais, teorias da moda, a cultura material e do vestuário, o sistema da moda, desde o seu design e fabrico ao marketing e representação da moda (Steele, 2005), a disponibilização de vocabulário especializado com definições orientadas para o domínio da moda, contribuindo para a criação de neologismos (Picken, 2013), são questões que se apresentam no emprego dos termos em estudos sobre vestuário e moda, bem como na escolha dos termos empregados na indexação de peças de vestuário e acessórios em acervos museológicos. A caracterização visual do vestuário e calçado (seja através da pintura, escultura, desenho ou outras formas de representação visual) assume especial destaque na investigação sobre a história e patrimônio do vestuário (Hollander, 1978; Palla, 1999; Malcolm-Davies & Mikhaila, 2006; Melchior & Svensson, 2014; Rublack & Hayward, 2015; Cantista & Delille, 2022), servindo como complemento às definições. Nestas obras, são identificados casos de vários termos usados para designar uma mesma peça de vestuário, polissemias e variantes ortográficas, sendo ainda de destacar a variação do significado dos termos e a alteração de designações de peças de vestuário consoante o período histórico (Passot, 2019).

Neste sentido, o presente dossiê temático visa abrir a discussão às problemáticas de natureza histórica e linguística que sustentam a terminologia do vestuário no mundo lusófono, tais como:

  • o papel das terminologias do vestuário na construção do léxico de uma língua e da sua cultura através da literatura e das artes;
  • o vestuário na sua relação com os acervos museológicos e a necessidade de terminologias para a devida catalogação de peças de vestuário e acessórios em diferentes períodos históricos;
  • as contribuições das terminologias e glossários para a indústria da moda e os objetivos de desenvolvimento sustentável, a formação de profissionais, a tradução e o ensino de línguas para fins específicos;
  • a fixação e estabilização da terminologia da moda e do vestuário visando a transferência do conhecimento especializado;
  • boas práticas para a gestão de terminologias no domínio do vestuário;
  • metodologias de validação de termos e seus equivalentes no contexto das estratégias de mediação entre especialistas, tradutores e linguistas;
  • a importância da imagem para a elaboração de definições das peças de vestuário;
  • os neologismos e os empréstimos linguísticos de ontem e de hoje na terminologia da moda;
  • o reconhecimento do patrimônio do vestuário como um campo de trabalho em expansão que permite a ligação da academia à indústria.

Referências

BOUCHER, François. História do vestuário no Ocidente: das origens aos nossos dias. Tradução de André Telles. 1.ª reimpr. São Paulo: Cosac & Naify, 2012. [1965, 1983, 1996, 2008].

CANTISTA, Isabel; DELILLE, Damien (Eds.). Fashion heritage: narrative and knowledge creation. Cham, Suíça: Palgrave Macmillan, 2022.

HOLLANDER, Anne. Seeing through clothes. Berkeley: University of California Press, 1978.

INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 704:2022 – Terminology work – Principles and methods. Geneva: International Organization for Standardization, 2022. Disponível em: https://www.iso.org/standard/79077.html. Acesso em: 31 jan. 2026.

JONES, Ann Rosalind; STALLYBRASS, Peter. Renaissance clothing and the materials of memory. Cambridge: Cambridge University Press, 2000.

MALCOLM-DAVIES, Jane; MIKHAILA, Ninya. The Tudor tailor: reconstructing sixteenth-century dress. London: Batsford, 2006.

MATTEUCCI, Giovanni. Fashion. In: International Lexicon of Aesthetics. Autumn Edition, 2019. Disponível em: https://lexicon.mimesisjournals.com/archive/2019/autumn/Fashion.pdf. DOI: 10.7413/18258630066. Acesso em: 31 jan. 2026.    

MELCHIOR, Marie Riegels & SVENSSON, Birgitta. Fashion and Museums. Theory and Practice. London: Bloomsbury Publishing, 2014.

PALLA, Maria José. Traje e pintura: Grão Vasco e o retábulo da Sé de Viseu. Lisboa: Editorial Estampa, 1999.

PASSOT, Sébastien. “Are you sure this is what he means?” Considerations on dress terminology in French sources and their subsequent translation. In: KAMMELL, Frank Mathias; PIETSCH, Johannes (ed.). Structuring fashion: foundation garments through history. München: Bayerisches Nationalmuseum; Himer Verlag GmbH, 2019. p. 63–71.

PICKEN, Mary Brooks. A dictionary of costume and fashion: historic and modern. New York: Dover Publications, 2013.

PINTO, Carla Alferes; GARCIA, Ana Catarina; FRAGOSO, Íris. From the sea to the land: an archaeological study of Iberian footwear during the early modern period. Heritage, v. 6, n. 2, p. 867–890, 2023. DOI: 10.3390/heritage6020048. Disponível em: https://www.mdpi.com/2571-9408/6/2/48. Acesso em: 31 jan. 2026.

ROCHE, Daniel. A cultura das aparências: uma história da indumentária (séculos XVII-XVIII). Tradução Assef Kfouri. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2007.

RUBLACK, Ulinka; HAYWARD, Maria. The first book of fashion: the books of clothes of Matthäus & Veit Konrad Schwarz of Augsburg. London: Bloomsbury, 2015.

STEELE, Valerie (Ed.). Encyclopedia of clothing and fashion. v. 1. Detroit: Charles Scribner’s Sons, 2005.

VOLPI, Maria Cristina; DUARTE MARTINS, Susana (Coords.). Vestuário feminino / Women’s garments. Vestuário masculino / Men’s garments. Vestuário infantil / Children’s garments. In: The Vocabulary of Basic Terms for the Cataloguing of Costume – Portuguese Version. ICOM – International Committee for Museums and Collections of Costume, 2025. Disponível em: https://costume.mini.icom.museum/publications-2/terminology/. Acesso em: 31 jan. 2026.

WELCH, Evelyn (Ed.). Fashioning the early modern: dress, textiles, and innovation in Europe, 1500-1800. Oxford: Oxford University Press, 2017.

Número 50:

dObra[s] 50: um panorama das pesquisas e estudos sobre moda no Brasil

Organizadoras/es:

Dra. Valéria Faria dos Santos Tessari – Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Dr. Henrique Grimaldi Figueredo – Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Dr. Felipe Goebel - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Prazo para envio de artigos: 30 de setembro de 2026

Previsão de publicação: agosto de 2027

Um bom caminho foi trilhado desde que os primeiros estudos sobre moda enfrentavam resistências no meio acadêmico brasileiro. Foram conquistados espaços dentre os temas de pesquisa e investigação dignos de serem levados a sério na grande área das Humanidades, expandindo-se das Artes e Letras até a História e as Ciências Sociais. Foram criadas graduações, pós-graduações, grupos de pesquisa, eventos científicos e publicações específicas sobre o fenômeno da moda, das aparências e da indumentária; em suma, sobre o corpo vestido e suas múltiplas modalidades culturais e sociais. Das publicações brasileiras, a mais longeva é a revista dObra[s], que em 2027 completará 20 anos, chegando a sua 50a edição.

Para comemorar esta trajetória convidamos pesquisadoras/es doutoras/es a submeterem artigos ao dossiê especial “dObra[s] 50: um panorama das pesquisas e estudos sobre moda no Brasil”.  A presente proposta intenciona compilar em nossa revista um quadro da excelência em pesquisas que fizeram e continuam a fazer o campo acadêmico sobre moda, e registrar os estudos mais relevantes que construíram o conhecimento sobre a moda e temas correlatos no e sobre o Brasil, em uma perspectiva de reflexão crítica.

 Serão bem-vindos artigos que constituam trajetórias, balanços e revisões de pesquisas em moda pelos vieses das Ciências Humanas e Sociais. Dessa forma, estudos sobre a moda e aparências em suas múltiplas relações com a História, Sociologia, Antropologia, Filosofia, Comunicação Social, memória, emoções, artes, imprensa, sustentabilidade, sexo e gênero, sexualidades, etnias, classe, consumo, produção dos corpos, meios digitais. Assim como sobre o campo de estudos em si, seu histórico, suas perspectivas para o futuro, tendências e desafios. Neste sentido, apreciaremos:               

- Trajetórias históricas, sociais e culturais sobre o conhecimento acadêmico de, sobre e a partir da moda, construído ao longo das últimas décadas no e sobre o Brasil;

- Balanços da construção do conhecimento científico sobre moda, que mapeiem avanços na área, estados da arte e panoramas de pesquisas;

- Revisões críticas e atualizações ampliadas de estudos fundamentais já publicados em edições anteriores da dObra[s] e que se tornaram referência por discutirem novos conceitos, teorias ou métodos importantes para a área.

Este dossiê é, portanto, comemorativo e busca celebrar e reconhecer o trabalho que pesquisadoras/es realizaram ao longo das últimas décadas, os quais ao mesmo tempo construíram o campo de estudos em moda no Brasil. Desta maneira, a chamada para submissões está direcionada a pesquisadoras/es doutoras/es sêniores, com produção há pelo menos 10 anos em suas respectivas especialidades.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ACOM, Ana Carolina. O ser e a moda: a metafisica do vestir. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2023.

ANDRADE, Rita Morais de; KARAJÁ, Tuinaki Koixaru; KARAJÁ, Waxiaki; CALAÇA, Indyanelle Marçal Garcia Di. Dossiê Vestires plurais dos povos originários. dObra[s] – revista da Associação Brasileira de Estudos de Pesquisas em Moda, n. 40, 2024.

BERLIM, Lilyan. Moda e sustentabilidade: uma reflexão necessária. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2014.

BONADIO, Maria Claudia; SILVA, Elisabeth Murilho da. (orgs.) História e historiografia da moda. São Paulo: Alameda Editorial, 2024. 

BONADIO, Maria Claudia. Moda e sociabilidade: mulheres e consumo na São Paulo dos anos 1920. São Paulo: Editora Senac SP, 2007.

BONADIO Maria Claudia; MARINHO, Maria Gabriela; WAJNMAN, Solange. Dossiê Moda e Conhecimento: interfaces com as Ciências Humanas e a Comunicação. Iara – Revista de Moda, Cultura e Arte. São Paulo, v.3, n° 3, dez. 2010.

BONADIO, Maria Claudia; MATTOS, Maria de Fátima da S. C. G. de (org.). História e cultura de moda. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2011.

BUENO, Maria Lucia; CRANE, Diana. (Orgs.). Ensaios sobre moda, arte e globalização cultural. São Paulo: Senac, 2001.

BUENO, Maria Lucia; CRANE, Diana (Orgs.). Dossiê Moda e Teoria Social, Iara - Revista de Moda, Cultura e Arte. São Paulo, v.1, n°1, 2008.

CIDREIRA, Renata Pitombo. Os sentidos da moda. São Paulo: Annablume, 2005.

CIDREIRA, Renata Pitombo. Moda e crítica: prazer, julgamento e avaliação. Salvador: EDUFBA, 2022.

MATTOS, Maria de Fátima da Silva Costa Garcia de. (Org.). Pesquisa e formação em moda. São Paulo: Abepem/Estação das Letras e Cores, 2015.

MELLO E SOUZA, Gilda. O espírito das roupas: a moda no século XIX. São Paulo: Cia. das Letras, 1987. 

MIRANDA, Ana Paula de. Consumo de moda: a relação pessoa-objeto. 2a ed. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2019.

OLIVEIRA, Ana Claudia Mei Alves de; CASTILHO, Kathia (Orgs.). Corpo e moda: por uma compreensão do contemporaneo. Barueri-SP: Estação das Letras e Cores, 2008.

OLIVEIRA, Ana Claudia Mei Alves de (Org.). Sociossemiótica I: moda, consumo, construção de imagem. Barueri: Estação das Letras e Cores, 2021.

RAINHO, Maria do Carmo Teixeira. Moda e revolução nos anos 1960. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2014.

RAINHO, Maria do Carmo T. A moda como campo de estudos do historiador: balanço da produção acadêmica no Brasil. In: Anais 11º Colóquio de Moda, 8ª Edição Internacional, Curitiba, 2015. v. 1.

SALLES, Manon. Museologia da moda – acervos e coleções no Brasil. 1. ed. São Paulo: Alameda Casa Editorial, 2023. 

SANTANNA, Denize Bernuzzi de. História da beleza no Brasil. São Paulo: Contexto, 2014.

SANTANNA, Mara Rúbia. Teoria de moda: sociedade, imagem e consumo. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2007.

VIANA, Fausto. O traje de cena como documento. 2a ed. São Paulo: ECA/USP, 2024.

Número 49:

Dossiê 49

Moda e Filosofia: entre produções e pensamentos

Organizadora/or:

Larissa Almada - Senac-SP
Guido Conrado - Senac-RJ

Prazo para envio de artigos: julho 2026

Previsão de publicação: abril e/ou agosto 2027

Vestir, criar, desenvolver, comercializar moda são atos [poéticos] de produção social. Dizemos poético em razão de poesia e produção terem a mesma origem no grego – poiesis – e com isso queremos chamar atenção para o fato de que produzir moda não pode ser confundido com apenas a fabricação matérica de roupas e acessórios. Aqui entendemos a moda, também, como um dispositivo de produção de subjetividade, um campo expandido para a compreensão dos modos de viver e de se organizar em sociedade.

Historicamente, diversos pensadores do campo da filosofia se debruçaram sobre a complexidade deste fenômeno que é a moda em vista de suas implicações éticas, estéticas, políticas, etc. Por essa mesma razão, também é muito recorrente que pesquisadores do campo da moda se utilizem cada vez mais de autores da filosofia para aprofundar suas análises a respeito das práticas de criação, produção e circulação dessas formas e artefatos vestíveis.

O presente dossiê pretende oferecer um espaço explícito de diálogos e cruzamentos entre os campos da moda e da filosofia, com vistas a compartilhar não apenas evidências das contribuições da moda para o campo da reflexão filosófica, por meio de resenhas ou comentários críticos que versem sobre pensadores que se debruçaram sobre o tema, mas também do campo da filosofia para a reflexão sobre moda por meio de produções do campo da moda que se valem de conceitos filosóficos como matéria produtiva e de produções filosóficas originais contemporâneas cujo foco seja o de enxergar no vasto campo da produção e do consumo de moda um solo para a reflexão filosófica.

O principal objetivo deste dossiê é oferecer um espaço de visibilidade e debate acadêmico para os modos de relação não-disciplinados entre moda e filosofia. Desejamos fomentar diálogos interdisciplinares ou não-disciplinares, reunindo contribuições que explorem a moda como objeto de reflexão filosófica e que utilizem o pensamento filosófico como ferramenta para a análise crítica da moda. Promover cruzamentos entre perspectivas estéticas, éticas e políticas considerando o campo da moda nos contextos de sua produção simbólica e material.

Ao fazer isso, pretendemos não apenas enriquecer o campo dos estudos de moda, mas também demonstrar sua pertinência e potência temática para a filosofia em seu esforço de compreensão dos fenômenos sociais contemporâneos.

Com o intuito de contemplar a diversidade de abordagens que a intersecção entre moda e filosofia permite, o presente dossiê pretende acolher trabalhos em diferentes formatos, estando abertos à submissão de:

Traduções: Receberemos traduções inéditas para o português de textos filosóficos, clássicos ou contemporâneos, que tratem diretamente de temas como moda nos contextos produtivos e simbólicos.

Resenhas: Serão bem-vindas resenhas críticas de obras filosóficas, recém-lançadas ou de relevância histórica, que abordem a temática da moda e suas implicações sociais e culturais.

Reflexões Filosóficas: Encorajamos o envio de artigos autorais que apresentem reflexões filosóficas originais sobre a moda, seus modos de produção, os seus regimes de pensamento.

Contribuições Interdisciplinares: Acolheremos também artigos e análises do campo da moda que se utilizem de referenciais filosóficos consistentes para pensar questões relativas à criação, produção, circulação, consumo, representação simbólica e material da moda e do vestuário.

Entrevistas: teremos também prazer em receber entrevistas cujos temas sejam aderentes à temática deste dossiê.

REFERÊNCIAS

ACOM, A. C. O ser e a moda. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2023.

ALMADA, L. Teoria da Moda: reflexões contemporâneas. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2024.

BARTHES, R. Inéditos, vol. 3: imagem e moda. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

BAUDOT, F. Moda do século. São Paulo: Cosac Naify, 2002.

BENJAMIN, W. Passagens. Belo Horizonte: UFMG, 2009.

BERARDI, F. Asfixia: capitalismo financeiro e a insurreição da linguagem. São Paulo: Editora UBU, 2020.

CALANCA, D. História Social da Moda. São Paulo: Editora Senac, 2002.

CASTILHO, K. Moda e linguagem. São Paulo: Editora Anhembi Morumbi. 2009.

CHATAIGNER, G. História da Moda no Brasil. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2010.

CHAUI, M. Filosofia, um modo de vida. São Paulo: Planeta, 2025.

CHRISTO, D. C. Estrutura e funcionamento do campo de produção de objetos do vestuário no Brasil. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2016.

CIDREIRA, R. P. Os sentidos da moda: vestuário, comunicação e cultura. São Paulo: Annablume, 2005.

CIETTA, E. A economia da moda: porque hoje um bom modelo de negócios vale mais do que uma boa coleção. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2017.

CONRADO, G. Moda: uma trama filosófica. São Paulo: Editora Estação das Letras e Cores: Caleidoscópio, 2024.

DELEUZE, G. O que é a filosofia? Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992.

DELEUZE, G. Conversações. Rio de Janeiro: Editora 34, 2008.

DELEUZE, G.; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. São Paulo, Ed. 34, 1995. v. 1.

DOWBOR, L. O capitalismo se desloca: novas arquiteturas sociais. São Paulo: SESC Edições, 2020.

FLÜGEL, J. A psicologia das roupas. São Paulo: Mestre Jou, 1966.

FOUCAULT, M. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2017.

GUATTARI, F. Caosmose: um novo paradigma estético. São Paulo: Editora 34, 1992.

GRUMBACH, D. Histórias da moda. São Paulo: Cosac Naify, 2009.

KLEIN, N. Sem Logo: A tirania das marcas em um planeta vendido. Rio de Janeiro: Editora Record, 2002.

LAVER, J. A Roupa e a moda: uma história concisa. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

LAZZARATO, M. As revoluções do capitalismo. Rio de janeiro: Civilização Brasileira, 2006.

LIPOVETSKY, G. O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

LIPOVETSKY, G. A felicidade paradoxal: ensaio sobre uma sociedade de hiperconsumo. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

MESQUITA, C. Moda contemporânea: quatro ou cinco conexões possíveis. São Paulo: Editora Anhembi Morumbi, 2004.

PÉLBART, P. A vertigem por um fio: políticas da subjetividade contemporânea. São Paulo: Iluminuras, 2000.

PIKETTY, T. Capital e ideologia. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2020.

PRECIOSA, R. Produção estética: notas sobre roupas, sujeitos e modos de vida. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2007.

PRECIOSA, R.; MESQUITA, C. (org.) Moda em ziguezague: interfaces e expansões. São Paulo: Estação Das Letras e Cores, 2011.

RANCIÈRE, J. A partilha do sensível: estética e política. São Paulo: Editora 34, 2009.

RANCIÈRE, J. O destino das imagens. Rio de Janeiro: Contraponto, 2012.

ROCHE, D. A cultura das aparências. São Paulo: Editora SENAC, 2007.

ROLNIK, Suely. Cartografia sentimental: transformações contemporâneas do desejo. Porto Alegre: Sulina/UFRGS, 2007.

SABRÁ, F. G. C. Os agentes sociais envolvidos no processo criativo no desenvolvimento de produtos da cadeia têxtil. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2016.

SEMPRINI, A. A marca pós-moderna: poder e fragilidade da marca na sociedade contemporânea. São Paulo: Editora Estação das Letras e Cores, 2010.

SIMMEL, G. Filosofia da moda e outros escritos. Lisboa: Edições Texto & Grafia, 2008.

SIMONDON, G. A individuação à luz das noções de forma e de informação. São Paulo: Editora 34, 2020.

SIMONDON, G. Do modo de existência dos objetos técnicos. Rio de Janeiro: Contraponto, 2020.

STALLYBRASS, Peter. O casaco de Marx: roupas, memória, dor. Belo Horizonte: Autêntica, 2008.

Número 48:

Dossiê dObra[s] 48 

História da Moda e da Indumentária: vestes, imagens e representações do passado

Organizadores:

Paulo Debom – Senai Cetiqt/Escola de Artes Celso Lisboa
Camila Borges - Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Prazo para envio de artigos: 30 de abril de 2026

Previsão de publicação: dezembro de 2026 e/ou abril de 2027

A indumentária é há muito reconhecida como uma das expressões mais significativas da vida social. Para além da dimensão estética, ela se constitui como documento histórico e prática cultural que permite compreender relações de poder, transformações econômicas, mudanças nos modos de sociabilidade e na construção de identidades coletivas e individuais.

Nas últimas décadas, contudo, a História Moda e da indumentária ultrapassou o estatuto exclusivo de objeto de estudo e consolidou-se como um campo de pesquisa autônomo, com categorias próprias, debates teóricos específicos e grande interlocução com outras áreas do saber. Nesse sentido, investigar a cultura das aparências significa não apenas analisá-la como reflexo de uma época, mas reconhecê-la como espaço de produção de conhecimento e de interpretação crítica sobre a história e a cultura.

O dossiê “História da Moda e da Indumentária: vestes, imagens e representações do passado” propõe reunir artigos que tenham por base pesquisas ancoradas em fontes primárias/documentos de época e sustentadas pelo rigor metodológico característico da disciplina histórica. Busca-se contemplar a multiplicidade de perspectivas que atravessam a escrita da história, entre elas:

  • História cultural: análise de representações, práticas e circulação de símbolos, considerando também suas manifestações e experiências no universo da cultura digital;
  • História política: relações entre poder, Estado e vestimenta;
  • História econômica: produção, circulação e comércio de têxteis, vestuário e adornos;
  • História social: modos de vida, distinções de classe e experiências coletivas;
  • História do trabalho: ofícios, condições laborais e transformações da indústria do vestir;
  • História das mulheres e de gênero: vestimenta como prática de construção e negociação de identidades;
  •  História e Cultura Material: estudo de objetos, artefatos e vestígios do vestir em suas dimensões sociais e históricas;
  • História e Cultura Visual: análise de imagens, representações e práticas visuais conectadas à cultura das aparências, incluindo suas interfaces com experiências audiovisuais e mediações cinematográficas, televisivas e digitais;
  • História oral: narrativas individuais e coletivas que expressam memórias, experiências sensíveis e vivências ligadas ao vestir;
  •  História e Ensino de História: usos da Moda e da Indumentária como recursos pedagógicos para compreender processos históricos e estimular práticas de ensino inovadoras;
  • História e Ciências Sociais: diálogos interdisciplinares entre Moda, antropologia, sociologia e ciência política.

Ao articular diferentes tradições e enfoques historiográficos, o dossiê pretende estimular o diálogo entre pesquisadores de distintas áreas do conhecimento, reconhecendo História da Moda e da Indumentária como um campo de pesquisa essencialmente interdisciplinar. Assim, abre-se espaço para abordagens que perpassam a história cultural, política, econômica e social mesmo que oriundas de outros campos como Ciências Sociais, Filosofia, Arte, Design e Comunicação. Contudo, ainda que provenientes de campos variados, todas as investigações submetidas a esse dossiê deverão ter como ponto de partida a pesquisa em fontes históricas, assegurando o rigor metodológico e a consistência analítica que sustentam a reflexão acadêmica.

Bibliografia

BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 2007.

BONADIO, Maria Claudia; SILVA, Elisabeth Murilho da. História e Historiografia da Moda. São Paulo:  Alameda Editorial, 2024.

BONADIO, Maria Cláudia; MATTOS, Maria de Fátima da S. Costa de (org.). História e cultura de moda. São Paulo: Estação das Letras e Cores. 2011.

CALANCA, Daniela. História social da moda. SP: Editora SENAC, 2008.

CHARTIER, Roger. À beira da falésia: a história entre certezas e inquietudes. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2002.

DEBOM, Paulo. A moda e o vestuário como objetos de estudo na História. Revista de Ensino em Artes, Moda e Design, Florianópolis, v. 3, p. 13-26, 2019.

LIPOVETSKY, Gilles. O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

MERLO, Márcia (org.). Museus e moda. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2016.

MONTELEONE, Joana. O circuito das roupas: a corte, o consumo e a moda (Rio de Janeiro, 1840-1889). São Paulo: Alameda, 2022.

RAINHO, Maria do Carmo Teixeira. A Cidade e a Moda: novas pretensões, novas distinções – Rio de Janeiro, século XIX. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2002.

RAINHO, Maria do Carmo Teixeira. Moda e revolução nos anos 1960. Rio de Janeiro: Contracapa, 2014.

ROCHE, Daniel. História das coisas banais: nascimento do consumo (séc. XVII-XIX). RJ: Editora Rocco, 2000.

ROCHE, Daniel.  A cultura das aparências: uma história da indumentária (séculos XVII-XVIII), SP: Editora SENAC, 2007

SILVA, Camila Borges; MONTELEONE, Joana; DEBOM, Paulo (orgs). A História na Moda, a Moda na História. São Paulo: Alameda editorial, 2019.

SILVA, Camila Borges da. O símbolo indumentário: distinção e prestígio no Rio de Janeiro (1808-1821). Secretaria Municipal de Cultura: Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, 2010.

SIMILLI, Ivana; BONADIO, Maria Claudia. Histórias do vestir masculino: narrativas de moda, beleza e elegância. Maringá: Eduem, 2017. 

SIMILLI, Ivana; Guilherme Telles da Silva. As Roupas na História: pesquisar, narrar e ensinar. Curitiba: Editora CRV, Brasil 2024.

VIANA, Iamara; COSTA, Valéria. Vestidas de (re)existência! Indumentárias de mulheres africanas e afro-diaspóricas no Brasil escravista. In: VIANA, Iamara; COSTA, Valéria (orgs). Mulheres afro-atlânticas e Ensino de História. Rio de Janeiro: Malê, 2023. 

XAVIER, Giovana. História social da beleza negra. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2021.