Cangaceiros e sua existência ético-estética: entre dândis do sertão e banditismo social

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26563/dobras.i39.1652

Palavras-chave:

Estética do cangaço, Modos de existência, Modernidade, Lampião

Resumo

Este artigo traz uma investigação de caráter pós-doutoral sobre o modo de existência ético-estético dos cangaceiros. O Cangaço é um movimento da subcultura fora- -da-lei, no Nordeste do Brasil, que remonta a meados do século XIX. Esta pesquisa reflete sobre a estética do bando de Lampião, em atuação entre os anos de 1920 a 1940. A estética do cangaço é marcante pela indumentária de couro, originada do vaqueiro da região, mas que constitui-se em aparência única, repleta de bordados simbólicos, adereços metálicos e composições entre funcionalidades bélicas e adornáveis. O estudo contempla os significados da modernidade em autores como Walter Benjamin e Charles Baudelaire, e como seus conceitos são pensados na aparição dos sujeitos ambíguos que viviam de forma nômade na caatinga, no sertão nordestino. Entre as instâncias que o cangaceiro se situa na cultura popular, o artigo demonstra sua presença na transição do cinema de caráter clássico-industrial para a experimentação autoral no Cinema Novo.

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Biografia do Autor

Ana Carolina Acom

Doutora em Sociedade, Cultura e Fronteiras (UNIOESTE). Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). anacarolinaacom@gmail.com, http://lattes.cnpq.br/7164611825752287

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Publicado

2023-11-28

Como Citar

ACOM, A. C. Cangaceiros e sua existência ético-estética: entre dândis do sertão e banditismo social. dObra[s] – revista da Associação Brasileira de Estudos de Pesquisas em Moda, [S. l.], n. 39, p. 38–60, 2023. DOI: 10.26563/dobras.i39.1652. Disponível em: https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/article/view/1652. Acesso em: 26 fev. 2024.

Edição

Seção

Dossiê