O figurino como máscara da identidade
DOI:
https://doi.org/10.26563/dobras.v18i43.1859Palavras-chave:
Figurino, Identidade, ColorismoResumo
Ao compreender que em obras cinematográficas o figurino é utilizado para a construção subjetiva e objetiva de personagens, este artigo tem a finalidade de analisar os significados atribuídos ao figurino na conformação simbólica das protagonistas do filme “Identidade” (2021). Para isso, foi realizada uma leitura semiótica denotativa e conotativa de quatro imagens de figurinos do filme, evidenciando que as roupas nas cenas selecionadas desempenhavam uma função significativa para a narrativa. O filme é ambientado na Nova Iorque da década de 1920, um contexto de segregação racial, e, desde o título em inglês, Passing, discute de maneira simbólica as problemáticas do colorismo. A narrativa segue a história de personagens negras que se passam por brancas para acessar lugares proibidos. Em relação aos principais resultados, o figurino, composto por vestidos longos, meias, luvas e chapéus, funciona como uma máscara que oculta as verdadeiras identidades. Dessa forma, ele virtualiza o real, transfigurando a vestimenta de forma de expressão em um esconderijo.
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