O figurino como máscara da identidade

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26563/dobras.v18i43.1859

Palavras-chave:

Figurino, Identidade, Colorismo

Resumo

Ao compreender que em obras cinematográficas o figurino é utilizado para a construção subjetiva e objetiva de personagens, este artigo tem a finalidade de analisar os significados atribuídos ao figurino na conformação simbólica das protagonistas do filme “Identidade” (2021). Para isso, foi realizada uma leitura semiótica denotativa e conotativa de quatro imagens de figurinos do filme, evidenciando que as roupas nas cenas selecionadas desempenhavam uma função significativa para a narrativa. O filme é ambientado na Nova Iorque da década de 1920, um contexto de segregação racial, e, desde o título em inglês, Passing, discute de maneira simbólica as problemáticas do colorismo. A narrativa segue a história de personagens negras que se passam por brancas para acessar lugares proibidos. Em relação aos principais resultados, o figurino, composto por vestidos longos, meias, luvas e chapéus, funciona como uma máscara que oculta as verdadeiras identidades. Dessa forma, ele virtualiza o real, transfigurando a vestimenta de forma de expressão em um esconderijo.

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Biografias Autor

Glauber Soares Junior, Universidade Feevale; UEMG.

Doutorando em Processos e Manifestações Culturais (Feevale). Professor no departamento de Design (UEMG, Ubá).

Fabiano Eloy Atílio Batista, UFMG

Doutor em Economia Doméstica (UFV). Professor no departamento de Design (UEMG, Ubá).

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A imagem mostra duas pessoas em trajes típicos, com a palavra 'Dossiê' exibida no canto superior esquerdo.

Publicado

2025-04-01

Como Citar

SOARES JUNIOR, G.; BATISTA, F. E. A. O figurino como máscara da identidade. dObra[s] – revista da Associação Brasileira de Estudos de Pesquisas em Moda, [S. l.], v. 18, n. 43, p. 13–33, 2025. DOI: 10.26563/dobras.v18i43.1859. Disponível em: https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/article/view/1859. Acesso em: 5 abr. 2025.

Edição

Secção

Dossiê