Espadas e agulhas
relações entre o bordado e a guerra
DOI :
https://doi.org/10.26563/dobras.v18i45.1958Mots-clés :
Bordado, Guerra, Gênero, Arte têxtil, IndumentáriaRésumé
Este artigo propõe a pensar as relações entre o bordado e a guerra, tendo como ponto de partida as próprias relações de gênero que permeiam o trabalho com os têxteis e o serviço militar. Se as artes aplicadas, notadamente o bordado, foram consideradas ao longo do tempo por muitas sociedades como um símbolo de feminilidade ideal, o militarismo foi um dos elementos responsáveis por ajudar a forjar uma ideia de masculinidade estereotipada. No entanto, nem tudo ocorre de acordo com as expectativas sociais de gênero. A ideia de que mulheres não se envolveram em guerras, ainda que frequentemente apagada pela historiografia, não se comprova. A distância absoluta entre os homens e as artes têxteis também não se sustenta. A partir de uma costura entre estes assuntos, este artigo passeia pela história do bordado, da arte e da guerra, analisando situações em que o bordado foi usado como arma de guerra pelas mulheres; em que homens militares usaram o bordado como forma de expressão para suas experiências de guerra; e em que artistas, questionando os horrores da guerra e da barbárie, usaram o bordado e a indumentária para criar obras de arte.
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