Espadas e agulhas

relações entre o bordado e a guerra

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26563/dobras.v18i45.1958

Palavras-chave:

Bordado, Guerra, Gênero, Arte têxtil, Indumentária

Resumo

Este artigo propõe a pensar as relações entre o bordado e a guerra, tendo como ponto de partida as próprias relações de gênero que permeiam o trabalho com os têxteis e o serviço militar. Se as artes aplicadas, notadamente o bordado, foram consideradas ao longo do tempo por muitas sociedades como um símbolo de feminilidade ideal, o militarismo foi um dos elementos responsáveis por ajudar a forjar uma ideia de masculinidade estereotipada. No entanto, nem tudo ocorre de acordo com as expectativas sociais de gênero. A ideia de que mulheres não se envolveram em guerras, ainda que frequentemente apagada pela historiografia, não se comprova. A distância absoluta entre os homens e as artes têxteis também não se sustenta. A partir de uma costura entre estes assuntos, este artigo passeia pela história do bordado, da arte e da guerra, analisando situações em que o bordado foi usado como arma de guerra pelas mulheres; em que homens militares usaram o bordado como forma de expressão para suas experiências de guerra; e em que artistas, questionando os horrores da guerra e da barbárie, usaram o bordado e a indumentária para criar obras de arte.

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Biografia do Autor

Maria Celina Gil, Universidade de São Paulo; Universidade Estadual de Campinas.

Maria Celina Gil é graduada em Cinema pela FAAP (2011) e em Letras pela FFLCH/USP (2014). Mestra e doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da ECA/USP. Membro do Núcleo de Traje de Cena, Indumentária e Tecnologia da USP. Pesquisadora de Pós-Doutorado na Unicamp. Atua como figurinista e maquiadora cênica.

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Página com o título “[dossiê]” disposto na vertical à direita, sobre um fundo em tons de roxo e lilás. No centro, aparece o contorno difuso de uma mão espalmada vista através de um material translúcido, criando uma atmosfera etérea e abstrata. No canto inferior esquerdo, há uma pequena imagem retangular com formas suaves e tons semelhantes, reforçando o caráter artístico e experimental da composição.

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Publicado

2025-11-28

Como Citar

GIL, Maria Celina. Espadas e agulhas: relações entre o bordado e a guerra. dObra[s] – revista da Associação Brasileira de Estudos de Pesquisas em Moda, [S. l.], v. 18, n. 45, p. 70–90, 2025. DOI: 10.26563/dobras.v18i45.1958. Disponível em: https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/article/view/1958. Acesso em: 29 nov. 2025.

Edição

Seção

Dossiê