Chamadas abertas

2020-09-28

Próximos dossiês com chamadas de trabalhos abertas:

Número 42:

Moda e Design Inclusivo

 Organizadoras: 

  • Claudia Schemes (Universidade Feevale)
  • Bruna Brogin (Universidade Feevale)
  • Juliana Bortholuzzi (Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS)

Prazo para envio de artigos: 31 de março de 2024

Previsão de publicação: Dezembro de 2024

Este dossiê tem por objetivo reunir artigos que discorram sobre Moda e Design Inclusivo, alinhado com os esforços nacionais e mundiais a respeito da redução de desigualdades e equidade de oportunidades para todos. A nível mundial, a Organização das Nações Unidas - ONU apresenta 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável – ODS, ratificados pelo governo brasileiro, sendo que um destes objetivos é a redução das desigualdades dentro dos países e entre eles (ODS BRASIL, 2021). [...]

A partir deste cenário, pensarmos na Moda e no Design Inclusivo se justifica, pois entendemos que estas áreas do conhecimento ainda carecem de pesquisas e investigações que priorizem as necessidades dos usuários, já que percebemos que as questões relacionadas à estética do produto são, na maioria das vezes, mais valorizadas que o conforto, praticidade, ergonomia e acessibilidade.

Queremos discutir como a moda pode incluir corpos que ainda não são atendidos com produtos do vestuário, não são incluídos nos discursos, nas campanhas publicitárias e nos desfiles, corpos para os quais não se ensina a projetar.

A inclusão na moda tem recebido atenção, e muitos são os grupos que há alguns anos não encontravam roupas para suas necessidades, e hoje passaram a ser contemplados, por exemplo, com a moda plus size e a moda gestante. Desta maneira, este dossiê tem o foco voltado para artigos que abordem a temática da moda e da inclusão para pessoas com deficiência (física, visual, auditiva, intelectual, múltiplas), pessoas com mobilidade reduzida, idosos, pessoas com particularidades dermatológicas e/ ou doenças - tanto no que diz respeito no desenvolvimento de produtos e serviços quanto na sua comunicação.

Existem pesquisadores debruçados sobre a moda e a inclusão para estes públicos, desfiles e premiações em âmbito regional, nacional e internacional voltados à moda inclusiva, e algumas empresas que comercializam exclusivamente para estes públicos, enquanto outras englobam estes consumidores entre seu público-alvo, provendo soluções funcionais e comunicação e marketing de alto nível.

No entanto, dados do censo brasileiro (IBGE, 2010) mostram que temos 23,9% da população com deficiência, ou seja, mais de 45 milhões de pessoas com deficiência. Além disso, os dados etários coletados mostram o envelhecimento da população, e os estudos (IBGE, 2013) indicam que o Brasil terá mais de ¼ de sua população de idosos em 2060.

Será que estamos preparados para prover produtos de qualidade, com conforto, segurança, acessibilidade, que promovam a autonomia, cuidados com a saúde, autoestima e qualidade de vida para os idosos? Será que todas as pessoas com deficiência encontram produtos de moda que lhes atendem? Será que estas marcas sabem se comunicar com estes públicos?

Os estudos, pesquisas e discussões de hoje precisam incluir um mercado crescente que demanda por produtos ergonômicos, com usabilidade e que projete para a longevidade, pois esta já é uma realidade no Brasil. Devemos pensar em tecidos, aviamentos e modelagens que facilitem o vestir; comunicar moda para todos; contribuir para que pessoas com deficiência e idosos tenham acesso a moda e se sintam representados nela.

Para tanto convidamos a todos que pesquisam moda para estes públicos, que enviem seus trabalhos, para que possamos aprofundar a discussão e crescer neste tema. Para este dossiê serão recebidos artigos que abordam, mas não unicamente:

- A interferência do vestuário e seus reflexos no cotidiano de pessoas com deficiência, considerando o conforto, o design inclusivo, a moda e a inovação;

- Discursos midiáticos sobre Moda e Design Inclusivo;

- Ensino da Moda e Design Inclusivo nos cursos superiores de moda;

- Projetos de moda focados em atender demandas de saúde de pessoas com deficiência, com mobilidade reduzida, com doenças específicas e/ ou idosos;

- Como as novas tecnologias têxteis contribuem para Moda e Design Inclusivo;

- Antropometria, ergonomia e usabilidade no desenvolvimento de coleções inclusivas;

- Moda sob medida para pessoas com deficiência severas;

- Customização em massa e suas oportunidades para incluir um público diverso;

- Comunicação inclusiva de moda;

- Moda e representação para geração prateada/ 60+/ idosos;

- Recursos táteis e design de superfície para moda e inclusão de pessoas cegas ou com baixa visão;

- Recursos auditivos para inclusão na moda;

- Representação e inclusão na moda;

- Venda de moda on-line e em loja física para idosos e pessoas com deficiência;

- Métodos de desenvolvimento de moda para inclusão; 

Bibliografia de Referência 

ALENCAR, Camila Osugi Cavalcanti de; BOUERI, Jorge. O conforto no vestuário: uma análise da relação entre conforto e moda. VIII Colóquio de Moda. Disponível em: Acesso em 28 abr de 2014.

AULER, Daniela Auler; SANCHES, Gabriela Sanches (Coord.) 9º Concurso moda inclusiva. Secretaria de Estado dos Direitos da pessoa com deficiência. São Paulo: Estação das Letras e Cores; SEDPCD, 2017. Disponível em: *Book_ModaInclusiva2017_.pdf. Acesso em 03/02/2022.

BARNARD, Malcolm. Moda e Comunicação. Rio de Janeiro: Rocco, 2003.

BROEGA, Ana Cristina. O Conforto Total do Vestuário: Design para os Cinco Sentidos. In Anais do Encuentro Latinoamericano de Diseño 2007. Disponível em: Acesso em 28 abr de 2014.

BROGIN, Bruna. Método de Design para cocriação de moda funcional para pessoas com deficiência. Tese (Doutorado em Design) – Programa de Pós-Graduação em Design, Universidade Federal do Paraná, Curitiba (PR), 2019.

BROGIN, Bruna; FERNANDES, Raquel dos S.; MARCHI. Sandra R. Desenvolvimento de coleção de moda inclusiva com o Método Co-Wear e a Linguagem Tátil das Cores See Color. In: OKIMOTO, Maria L. L. R. et al. (orgs). Tecnologia Assistiva Projetos e Aplicações. Bauru (SP): Canal 6, 2021. p. 351-359.

CRANE, Diana. A moda e seu papel social: classe, gênero e identidade das roupas. São Paulo: Senac, 2006.

DUL, Jan; WEERDMEESTER, Bernard. A. Ergonomia prática. 2. ed. São Paulo: Edgard Blücher, 2004.

GONÇALVES, Eliana; DORNBUSCH, Lucia Lopes. Ergonomia no vestuário: conceito de conforto como valor agregado ao produto de moda. Disponível em: https://dspace.palermo.edu/ojs/index.php/actas/article/view/3315. Acesso em 15/05/2014.

GRAVE, Maria de Fátima. A modelagem: sob a ótica da ergonomia. São Paulo, SP: Zennex publishing, 2010.

HEINRICH, Daiane Pletsch; CARVALHO, Miguel Ângelo Fernandes; BARROSO, Mónica Frias da Costa Paz. Ergonomia e antropometria aplicadas ao vestuário – discussão analítica acerca dos impactos sobre o conforto e a qualidade dos produtos. Universidad de Palermo, Itália, 2008. Disponível em: Acesso em 21 abr de 2014.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo Demográfico 2010: Características gerais da população, religião e pessoas com deficiência. São Paulo: IBGE, 2010. 215 p.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pirâmides etárias absolutas. 2013. Disponível em: https://fernandonogueiracosta.files.wordpress.com/2010/12/pirc3a2mides-etc3a1rias-absolutas.png Acesso em: 6 de julho de 2023.

IIDA, Itiro. Ergonomia: projeto e produção. São Paulo, SP: Edgard Blücher, 1990.

MAKARA, Elen; MERINO, Giselle S. A. D. Coleta de dados sobre o usuário do produto de vestuário: identificação de técnicas e ferramentas. Estudos em Design (online). Rio de Janeiro: v. 29. n. 2. 2021, p. 94 – 113.

MARTINS, Marcelo. Considerações sobre os estudos de Moda: tendências e perspectivas. In: CASTILHO, Kathia. Moda e Linguagem. 2. ed. São Paulo: Editora Anhembi Morumbi, 2004.

PÁRIS, Daniele Deise Antunes Silveira; MERINO, Giselle S. A. D.; VERGARA, Lizandra Garcia Lupi. Problemas de vestibilidade de produtos de vestuário sob perspectiva dos usuários. ModaPalavra, Florianópolis, V. 15, N. 37, p. 175–217, jul./dez. 2022.

ROSA, Lucas da. Vestuário Industrializado: Uso da ergonomia nas fases de Gerência de Produto, Criação, Modelagem e Prototipagem. 2011, 175 f. (Tese doutorado) - PUC, Departamento de Artes e Design: Rio de Janeiro/RJ, 2011.

SIMÕES, Jorge F.; BISPO, Renato. Design Inclusivo - Acessibilidade e usabilidade em produtos, Serviços e Ambientes, Manual de apoio às ações de formação do projeto de Design Inclusivo. 2. ed. Lisboa: Centro Português de Design, 2006. 79 p.

VARNIER, Thiago; MERINO, Giselle Schmidt Alves Dias. Projeto de produto de vestuário ergonômico: relação produto-usuário-contexto. Educação Gráfica, Bauru. v. 26, n. 2. Agosto de 2022. p. 56 – 70.

VARNIER, Thiago; MERINO, Giselle Schmidt Alves Dias. Ergonomia e vestuário: revisão sistemática da literatura sobre a utilização da Ergonomia no processo de desenvolvimento do produto de vestuário. ModaPalavra, Florianópolis, V. 15, N. 37, p. 67–123, jul./dez. 2022

VARNIER, Thiago; FETTERMANN Diego de Castro; MERINO, Giselle Schmidt Alves Dias, Processo de desenvolvimento de produtos no vestuário: uma revisão sistemática de modelos de auxílio à prática projetual de produtos de moda. Gestão & Tecnologia de Projetos. São Carlos, v16, n2, 2021.

Número 41:

Dossiê “Moda e gênero: uma perspectiva histórica”

Organizadoras: 

  • Carina Borges Rufino (Pesquisadora independente)
  • Maria Claudia Bonadio (UFJF)
  • Valéria Faria dos Santos Tessari (Pesquisadora independente)

Prazo para envio de artigos: 30 de Outubro de 2023

Previsão de publicação: agosto de 2024

Este dossiê tem por objetivo reunir artigos, entrevistas, resenhas e traduções sobre as relações entre moda e gênero, a partir das diferentes perspectivas históricas, sempre considerando moda e gênero não como conceitos fixos, mas que se estruturam a partir de contextos diversos, sendo portanto, construções históricas situadas.

A historicização deste tema permite pensar sobre como foram construídas as relações entre moda e gênero em diferentes tempos e espaços, desnaturalizando concepções que acabam por estruturar sociedades.

São bem-vindos trabalhos que abordem, mas não unicamente:

-  a ideia de construção cultural na separação entre roupas masculinas e femininas; como foi elaborada essa divisão no vestuário ao longo da história e em diferentes lugares a partir de estudos de caso ou revisão bibliográfica;

- o uso e elaboração de roupas e aparências como formas de resistência às identidades de gênero padrão; 

- de que modo se constituem conceitos atrelados à ideia de gênero na moda, tais como, masculino, feminino, unissex, sem gênero, etc; 

- os discursos midiáticos (publicidade, jornalismo, televisão, cinema, etc) sobre moda e gênero;

- aproximações entre moda e arte como forma de transgressão dos padrões de gênero ou proposições acerca de tais identidades; 

- os usos da cultura visual como forma de construção e/ou crítica aos padrões de gênero na moda;  

- a relação entre cultura pop, moda e gênero;

- a função dos museus e da cultura material produção, reprodução ou transgressão de tais conceitos;

- abordagens críticas à historiografia da moda;

- teorias feministas e questões sobre moda e gênero;

Trabalhos de perspectivas interseccionais e que abordem recortes espaciais fora dos principais eixos urbanos no Brasil e no mundo serão especialmente bem-vindos.

Bibliografia de Referência 

AUSLANDER, Phillip. Performing Glam Rock: Gender & Theatricality in Popular Music. Michigan: The University of Michigan Press, 2006. 

BARD, Christine. Historia política del pantalon. Barcelona: Tusquets Editores, 2012. 

BONADIO, Maria Claudia. Moda e sociabilidade: mulheres e consumo na São Paulo dos anos 1920. São Paulo: Editora Senac SP, 2007.

CARVALHO, Vânia Carneiro de. Gênero e artefato: o sistema doméstico na perspectiva da cultura material – São Paulo, 1870-1920. São Paulo: EDUSP, 2008.

CARVALHO, Vânia Carneiro de. Quando sonhar está na moda: a nostalgia do feminino na cultura de consumo. História: Questões & Debates, Curitiba, volume 65, n.2, p. 149-195, jul./dez. 2017.

COLE, Shaun. ‘Don we now our gay apparel’: Gay Men’s Dress in the twentieth century. Oxfor/New York: Berg, 2000. 

CRANE, Diana. A moda e seu papel social. São Paulo: Senac, 2006.

ENTWISTLE, Joanne. El cuerpo y la moda: una visión sociológica. Barcelona: Paidós, 2002. 

FORTY, Adrian. Objetos do desejo: Design e Sociedade desde 1750. São Paulo: Cosac & Naif, 2007. 

FLÜGEL, J. C. A psicologia das roupas. São Paulo: Editora Mestre Jou, 1966.

GONÇALES, Guilherme Domingues. Mulheres engravatadas: moda e comportamento feminino no Brasil, 1851-1911.São Paulo: Intermeios, 2020.

HOLLANDER, Anne. O sexo e as roupas: evolução do traje moderno. Rio de Janeiro: Rocco, 1996.  

GRAZIA, Victoria de.; FURLOUGH, Ellen (Eds.) The sex of things: gender and consumption in historical perspective.  Berkeley: University of California Press, 1996.

KERBER, Linda. Separete spheres, female worlds, woman's place: the rhethoric of women history. The Journal of American History, n. 1, june, 1988.

LOEB, Lori Anne. Consuming angels: advertising and Victorian women. New York: Oxford University Press, 1994.

MALERONKA, Wanda. Fazer roupa virou moda: um figurino de ocupação da mulher (São Paulo 1920-1940). São Paulo: Senac, 2007.

MONTGOMERY, Maureen E. Displaying women: spectacles of leisure in Edith Wharton’s New York. New York, Routledge, 1998.

PAOLLETI, Jo B. Pink and Blue: Telling the boys from the girls in America. Bloomington: Indiana Press, 2012.

PAOLLETI, Jo B. Sex and Unissex: Fashion, Feminism, and the Sexual Revolution. Bloomington: Indiana Press, 2015. 

PERROT, Michelle. Minha história das mulheres. São Paulo: Contexto, 2017.

RUFINO, Carina Borges. Tem pra menino? Disputas discursivas no âmbito comunicacional do consumo de moda agênero. Tese (Doutorado em Comunicação e Práticas de Consumo) – Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Práticas de Consumo, Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), São Paulo, 2022.

SANTANNA, Denize Bernuzzi de. História da beleza no Brasil. São Paulo: Contexto, 2014.

SPARKE, Penny. As long as it’s pink: the sexual politics of taste. London: Pandora, 1995.

SIMILI, Ivana e BONADIO, Maria Claudia (org.). Histórias do vestir masculino: narrativas de roupas, beleza, elegância. Maringá: Eduem, 2017. 

SOUZA, Gilda de Mello e. O espírito das roupas: A moda no século XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. 

TESSARI, Valéria Faria dos Santos. Louvre, o rei das sedas: consumo de moda e sociabilidades femininas em Curitiba – PR (1935-1945). 2019. Tese. 349 f. (Doutorado em Design). Programa de Pós-Graduação em Design, Universidade Federal do Paraná, 2019.

WILSON, Elizabeth. Enfeitada de sonhos: moda e modernidade. Rio de Janeiro: Edições 70, 1989.

Número 40:

Vestires plurais dos povos originários 

Organizadoras

  • Rita Morais de Andrade, Dra. Professora Associada da UFG
  • Tuinaki Koixaru Karajá, Diretora do Instituto Cultural Maluá
  • Waxiaki Karajá, Orientadora e pedagoga da Escola Estadual Indígena Maluá
  • Indyanelle Marçal Garcia Di Calaça, Doutoranda do PPGACV/UFG

Prazo para envio de artigos: 03 de setembro de 2023.

Publicação de publicação: abril de 2024

Este dossiê busca reunir pesquisas sobre os modos de vestir dos povos originários com foco, mas não exclusividade, no Brasil e em Abya Yala. Estudos dos povos originários de outras nacionalidades serão bem-vindos. 

A proposta está vinculada ao escopo e atuação do Grupo de Pesquisa Indumenta: dress and textiles studies in Brazil (UFG/CNPq) que se dedica a pesquisas sobre a pluralidade, diversidade e inclusividade dos modos de vestir. Partimos do pressuposto que as nacionalidades atuais foram historicamente constituídas por processos complexos de dominação e subalternidade, por colonialismos e colonialidades. Nesses processos, as produções objetivas (marcadas especialmente pela materialidade) e subjetivas (marcadas pelas cosmovisões) das populações originárias sofreram importantes perdas e transformações. 

Naquilo que se expressa nas maneiras de vestir o corpo, há tradições que resistem há séculos à moda ocidental moderna que dominou a produção e circulação de mercadorias — roupas, calçados, adornos e acessórios, maquiagem entre outros artefatos de vestuário — desde pelo menos as expansões imperialistas que levaram às conquistas e às colonizações europeias do século XV. 

No caso do Brasil, a partir das invasões europeias dos projetos expansionistas, as populações originárias foram sofrendo toda sorte de riscos à sua sobrevivência objetiva e subjetiva. Estima-se que, no início da colonização, dois a cinco milhões de pessoas habitavam o território que passou a ser Brasil. Há estudos que apresentam um cenário de violência brutal entre humanos: povos inteiros foram dizimados e outros foram se adaptando às exigências das diferentes agendas da dominação e exploração colonizadora. 

Das expressões nos modos de vestir e adornar o corpo desses povos, sabemos ainda muito pouco. As pesquisas e publicações precursoras que informam especialmente sobre a materialidade das vestes e pinturas corporais são, sobretudo, da área da Antropologia e Etnografia, e muitas vezes não aparecem como um tema central. Contudo, ainda é escassa a produção, a diversidade temática, de abordagens teóricas e metodológicas de pesquisa dedicadas aos povos originários e os seus modos de vestir. 

Além de tratar desse assunto que historicamente ocupa as margens da história da moda e do vestuário, este dossiê propõe uma prática de trabalho intercultural e transdisciplinar. As organizadoras são indígenas do povo Inỹ Karajá — habitantes imemoriais das margens do Rio Araguaia que atuam nas áreas de Educação Intercultural e Turismo, e não indígenas que atuam na área de História, Artes Visuais, Design e Moda.   

Serão bem-vindas as propostas cujas práticas de trabalho e pesquisa tenham princípios de interculturalidade e decolonialidade. Neste sentido, as organizadoras agradecem à equipe editorial da revista dObra[s] pela construção coletiva de um formato mais inclusivo, especialmente elaborado para este dossiê. Para autoria ou co-autoria de indígenas, pede-se titulação mínima de graduação. Para autoria de não-indígenas, manteve-se a política de publicação da revista, sendo necessária a titulação mínima de mestre para todos os autores.   

Alguns temas sugeridos (não restritos a estes) para esta edição são:

  • Modos de vestir das populações originárias na atualidade;
  • Construção intercultural dos modos de vestir dos povos originários;
  • Teoria e crítica da historização dos modos de vestir dos povos originários;
  • Vestires e a cultura material indígena: problemas e questões;
  • Estudos de caso e pesquisa com base em objetos (object-based research);
  • Interculturalidade africana, afro-brasileira/afro-americana e indígena na história do vestuário;
  • Modos de vestir dos povos da Abya Yala;
  • Moda indígena: problemas e questões;
  • O protagonismo indígena na moda e a decolonialidade;
  • Imagens e patrimônio cultural indígena na moda: questões éticas, apropriação cultural e práticas do design;
  • Metodologias de pesquisa sobre os modos de vestir dos povos originários;
  • Análise de artefatos indígenas musealizados;
  • Repatriação de objetos indígenas musealizados.

Referências

ABREU, Regina. Patrimonialização das diferenças e os novos sujeitos de direito coletivo no Brasil. In: Memória e novos patrimônios. Open Edition Press, 2015. Disponível em: <https://books.openedition.org/oep/868>. Acesso em: 27 dez. 2020.

ANDRADE, Rita Morais de. Vestires indígenas em bonecas karajá: argumentos para uma história da indumentária no Brasil. Revista História: Questões & Debates, nº 2, v. 65, p. 197 a 222, 2017.

ARNOLD, Denise & ESPEJO, Elvira. El textil tridimensional: la naturaleza del tejido como objeto y como sujeto. La Paz: Fundación Interamericana / Fundación Xavier Albó / Instituto de Lengua y Cultura Aymara, 2013, 375 p.. 

CALAÇA, Indyanelle Marçal Garcia Di.; ANDRADE, Rita Morais de. Atravessamentos interculturais em tempos de covid-19: a máscara como adorno da sobrevivência indígena. dObra[s] – revista da Associação Brasileira de Estudos de Pesquisas em Moda, [S. l.], n. 32, p. 265–282, 2021. DOI: 10.26563/dobras.i32.1376. Disponível em: https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/article/view/1376. Acesso em: 18 ago. 2021.

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