Chamada para artigos, resenhas e entrevistas de temática livre fluxo contínuo.

2020-09-28

Chamada para artigos, resenhas e entrevistas de temática livre fluxo contínuo.

Próximos dossiês com chamadas de trabalhos abertas:

• Número 35:  

Moda, Cinema e Género: Entre o estereótipo e a materialidade/Fashion, Cinema and Gender: between stereotype and materiality/  Moda, Cinema e Genere: tra lo stereótipo e la materialità/ Moda, Cine y Género: entre el estereotipo y la materialidad

Organizadoras:

Caterina Cucinotta IHC - Universidade NOVA de Lisboa.
Ana Catarina Pereira LabCom, Universidade da Beira Interior.

Prazo para envio de Artigos: 30 de outubro de 2021, Previsão de publicação: Agosto de 2022.

Moda, Cinema e Género: Entre o estereótipo e a materialidade

O dossier “Moda, Cinema e Género” quer aprofundar relações entre filmes e vestuário com base numa perspetiva de género (Gaines, 1990). Tradicionalmente, a análise do vestuário nos estudos fílmicos tem sido orientada pela noção da moda como um mundo separado, de lógica comercial e futilidades distintas.

No entanto, se refletirmos sobre a essência do cinema e da moda do ponto de vista dos seus processos de fabricação, concebemos certamente fortes sinergias com o universo feminino (com as personagens femininas, mas também com as próprias mulheres que trabalham nas distintas áreas do cinema). O processo de produção manual que reconhecemos como identitário na génese de um “vestido”, de facto, possui muitos elementos em comum com o processo de produção manual na génese de um “filme” (Burt, 2008). Ambos têm em comum uma raiz feminina que, dos ateliers de moda e do corte e cose, passou à montagem fílmica, retendo dentro de si uma sabedoria feita de manualidades, reflexão e paciência. Do “esboço” inicial à montagem das peças (ou sequências) para obtenção do resultado final, moda e cinema revelam uma estrutura processual muito idêntica, inteiramente suportada, desde a sua génese, por mulheres.

Com base numa perspetiva de género, reconhece-se hoje que muitas das mulheres que trabalharam nas primeiras produções cinematográficas não assumiram, na maioria dos casos, a função de realizadoras, mas antes de montadoras, pela sua experiência anterior como costureiras (Pereira, 2016; Holanda, 2019). Passado mais de um século, e mantendo-se a divisão de funções por motivos discriminatórios de género, a profissão de figurinista continua a ser aquela em que mais mulheres encontram oportunidades para trabalhar e exercer a sua criatividade, comparativamente a todas as restantes áreas e categorias técnicas do cinema (Schultz em Cordero-Hoyo & Souto Vasquez, 2020).

Não obstante, o discurso e a obra das/os artistas - co-autoras/es, por detrás das câmaras - são parte fundamental  da compreensão e análise do filme, mesmo, ou sobretudo se, de um ponto de vista inusual como o do vestuário. Nesta perspetiva, considerando que  o design, enquanto disciplina, possui uma história e um peso epistemológico, o vestuário constitui-se como objeto de estudo impreterível para uma completa análise fílmica. Todas as construções cinematográficas que têm o seu foco no vestuário abrem assim portas a novas perspetivas e metodologias de análise da moda e do vestuário no cinema.

Em termos referenciais, muitos são os textos que inserem a moda dentro de um contexto de análise fílmica como portadora de identidades em frente da câmara - através do vestuário de atrizes, atores e novas tendências (Street, 2001; Bruzzi, 1997) -, como também muitas são as análises semióticas e sociológicas que incorporam o vestuário numa perspetiva que o deixa literalmente fora do enquadramento fílmico e das suas especificidades materiais, focando-se na sua função de agente performativo (Calefato, 2011). Não obstante, serão escassos os estudos que focam a sua atenção na moda como reveladora de novas perspetivas de análise, com um ponto de partida que insere o vestuário e a própria moda na arquitetura da linguagem fílmica.

Em virtude dessa escassez, convidamos, por este meio, a uma reformulação da fashion in film que, desse modo, não se circunscreva ao uso do vestuário como objeto, mas que se transforme numa metodologia para a estrutura, ou textura, do filme (Bruno, 2014).  

No número que propomos editar, pretendemos assim explorar as diferentes orientações metodológicas da fashion theory que contribuem para uma inclusão maior da análise dos figurinos nos estudos fílmicos. Propomos ainda que esta análise seja operada em diálogo com os gender studies e o progressivo questionamento dos rígidos papéis atribuídos a homens e mulheres no ecrã e por detrás das câmaras.

 

Artigos, entrevistas e recensões que tratem das temáticas acima mencionadas serão bem-vindos.

Os tópicos a serem explorados podem incluir, embora não exclusivamente:

- A história do cinema e a história da moda no cruzamento com as questões de género;
- Os estudos feministas fílmicos;
- O vestuário em frente da câmara VS figurinistas atrás da câmara;
- Moda, media e género;
- O corpo revestido no cinema como questão de género;
- A moda no cinema como dispositivo de censura;
- Moda e cinema nos regimes autoritários e ditatoriais;
- O voyeurismo e a escopofilia ou o corpo no cinema como agente de prazer visual;
- Montadoras como costureiras: relações de género entre cinema e moda;
- Moda e cinema como agentes na transformação dos estereótipos de género.

Fashion, Cinema and Gender: between stereotype and materiality

The dossier "Fashion, Cinema and Gender" aims to deepen the relationship between film and clothing from a gender perspective (Gaines, 1990). Traditionally, the analysis of clothing in film studios has been driven by a notion of fashion as a separate world, with various commercial logics and futility. However, if we reflect on the essence of cinema and fashion from the point of view of their production processes, we will certainly find strong synergies with the female universe (with female characters, but also with women who work in the different cinema departments). The manual production process that we recognize as an identity in the genesis of a "dress", in fact, has many elements in common with the manual production process in the genesis of a "film" (Burt, 2008). Both have in common a feminine root that, from fashion and cutting and sewing ateliers, has moved on to film editing, bringing with it a wisdom made of dexterity, reflection and patience. From the initial "sketch" to the assembly of the pieces (or sequences) to obtain the final result, fashion and cinema reveal a somewhat identical procedural structure, fully supported, since its genesis, by women. Based on a gender perspective, it is now recognized that many women who worked in early film productions, in most cases, did not take on the role of directors, but rather of editors, due to their previous experience as seamstresses ( Pereira, 2016; Holanda, 2019). After more than a century, and maintaining that same division of functions for gender-discriminatory reasons, the profession of costume designer continues to be one in which more women are able to work and exercise their creativity, in some way, compared to all other areas. techniques and categories of cinema (Schultz in Cordero-Hoyo & Souto Vasquez, 2020). However, the discourse and work of the co-author artists behind the camera are a fundamental part of understanding and analyzing the film, also, or above all, from a point of view as unusual as the costumes. Just as design is recognized as a discipline with a history and an epistemological weight, fashion and costumes are an indispensable object of study for a complete cinematic analysis. All the costume-centered film constructions featured in the film open the doors to new perspectives and methodologies for analyzing fashion and clothing in cinema.

There are many texts that insert fashion in the context of cinematographic analysis as a bearer of identity in front of the camera through the clothes of actresses, actors and new trends (Street, 2001; Bruzzi, 1997), as well as many semiotic and sociological analyzes they incorporate clothing in a perspective that literally leaves it out of the frame of the film and its material specificities, focusing on its specificity as a performative agent (Calefato, 2011). We think that there are few studies that focus on fashion as a revelation of new perspectives of analysis, with a starting point that inserts clothing and fashion into the architecture of the cinematographic language. We therefore invite a reformulation of fashion in film that not only translates into the use of clothing as an object, but becomes a sort of methodology for the structure, or plot, of the film (Bruno, 2014). In the issue that we propose to you, we intend to explore different methodological orientations of fashion theory that contribute to a greater inclusion of costume analysis in film studies. We also propose that this analysis be operated in dialogue with gender studies and the progressive questioning of the rigid roles attributed to men and women on the screen and behind the cameras.

Articles, interviews and reviews dealing with the aforementioned topics are welcome.

Topics to be explored may include, but are not limited to:

- The history of cinema and the history of fashion at the intersection with gender issues;
- Fashion on screen VS the costume designers behind the scenes;
- Fashion, media and gender;
- The dressed body in cinema as a gender issue;
- Fashion in cinema as a censorship device;
- Fashion and cinema in dictatorships;
- Voyeurism and scopophilia or the body in cinema as an agent of visual pleasure;
- Filmic feminist studies;
- Editors as seamstresses: gender relations between cinema and fashion;
- Fashion and cinema as agents in the transformation of gender stereotypes.

Moda, Cinema e Genere: tra lo stereótipo e la materiali

Il dossier “Moda, Cinema and Genere” vuole approfondire le relazioni tra film e abbigliamento in un'ottica di genere (Gaines, 1990). Tradizionalmente, l'analisi dell'abbigliamento negli studi cinematografici è stata guidata da una nozione di moda come un mondo separato, con logiche commerciali e futilità varie. Tuttavia, se riflettiamo sull'essenza del cinema e della moda dal punto di vista dei loro processi produttivi, riscontreremo certamente forti sinergie con l'universo femminile (con i personaggi femminili, ma anche con le donne che lavorano nei diversi dipartimenti del cinema). Il processo produttivo manuale che riconosciamo come identitario nella genesi di un “abito”, infatti, ha molti elementi in comune con il processo produttivo manuale nella genesi di un “film” (Burt, 2008). Entrambi hanno in comune una radice femminile che, dagli atelier di moda e taglio e cucito, è passata al montaggio cinematografico, portando con sé una saggezza fatta di manualità, riflessione e pazienza. Dallo "schizzo" iniziale all'assemblaggio dei pezzi (o sequenze) per ottenere il risultato finale, moda e cinema rivelano una struttura procedurale alquanto identica, pienamente supportata, sin dalla sua genesi, dalle donne.

Sulla base di una prospettiva di genere, è ormai riconosciuto che molte donne che hanno lavorato nelle prime produzioni cinematografiche, nella maggior parte dei casi, non hanno assunto il ruolo di registe, ma piuttosto di montatrici, a causa della loro precedente esperienza come sarte (Pereira, 2016; Holanda, 2019). Dopo più di un secolo, e mantenendo quella stessa divisione delle funzioni per motivi discriminatori di genere, la professione di costumista continua ad essere quella in cui più donne riescono a lavorare ed esercitare la loro creatività, in qualche modo, rispetto a tutte le altre aree tecniche e categorie di cinema (Schultz in Cordero-Hoyo & Souto Vasquez, 2020). Tuttavia il discorso e il lavoro degli artisti coautori dietro la macchina da presa sono uma parte fondamentale della comprensione e dell'analisi del film, anche, o soprattutto, da un punto di vista insolito come i costumi. Così come il design è riconosciuto come una disciplina con una storia e un peso epistemologico, la moda e i costumi sono un oggetto di studio indispensabile per un'analisi cinematografica completa. Tutte le costruzioni filmiche incentrate sui costumi presenti nel film aprono le porte a nuove prospettive e metodologie per analizzare la moda e l'abbigliamento nel cinema.

Sono molti i testi che inseriscono la moda nel contesto dell'analisi cinematografica come portatrice di identità davanti alla macchina da presa attraverso gli abiti di attrici, attori e nuove tendenze (Street, 2001; Bruzzi, 1997), così come molte analisi semiotiche e sociologiche incorporano l'abbigliamento in una prospettiva che lo lascia letteralmente fuori dall’inquadratura del film e dalle sue specificità materiali, concentrandosi sulla sua specificità di agente performativo (Calefato, 2011). Pensiamo che siano scarsi gli studi che si concentrano sulla moda come rivelazione di nuove prospettive di analisi, con un punto di partenza che inserisca abbigliamento e moda nell'architettura del linguaggio cinematografico. Invitiamo quindi ad una riformulazione del fashion in film che non si traduca solo nell'uso dell'abbigliamento come oggetto, ma diventi una sorta di metodologia per la struttura, o trama, del film (Bruno, 2014). Nel numero che vi proponiamo, intendiamo esplorare diversi orientamenti metodologici della fashion theory che contribuiscano ad una maggiore inclusione dell'analisi dei costumi negli studi cinematografici. Proponiamo inoltre che questa analisi sia operata in dialogo con gli studi di genere e la progressiva messa in discussione dei rigidi ruoli attribuiti a uomini e donne sullo schermo e dietro le macchine da presa.

Si accettano articoli, interviste e recensioni che trattano i temi sopra citati.

Gli argomenti da esplorare possono includere, ma non sono limitati a:

- La storia del cinema e la storia della moda all'incrocio con le questioni di genere;
- Moda sullo schermo VS i costumisti dietro le quinte;
- Moda, media e genere;
- Il corpo rivestito nel cinema come questione di genere;
- La moda nel cinema come dispositivo di censura;

Número 36:

Aparência, Moda, Imagem e Politeísmo Corporal

Organização: Renata Pitombo Cidreira (UFRB) e Beatriz Ferreira Pires (USP)

Prazo para envio de artigos: 30 de março de 2022 – Previsão de publicação: dezembro de 2022.

Aparência, Moda, Imagem e Politeísmo Corporal

O dossiê tem como objetivo promover uma discussão sobre as diversas possibilidades de constituições corporais na contemporaneidade, a partir da composição da aparência, através das práticas vestimentares, do entrelaçamento, cada vez mais intenso, da moda com as ciências da saúde, seja através de procedimentos pouco invasivos, seja através de complexas e arriscadas incursões cirúrgicas, do fenômeno em ascensão da substituição do corpo por sua imagem e da prática de fazeres digitais que subtraem do corpo seu gestual.  

Como sabemos a imagem corporal participa dos sistemas de percepção, das atitudes e do modo como nos situamos no mundo. Esse esquema corporal, para usar uma expressão de Merleau-Ponty, “é um conjunto de performances motoras pré-conscientes e sub-pessoais que cumprem um papel [...] no controle da postura, do equilíbrio e do movimento” (1994, p. 196). Está implícito aí um saber incorporado, um senso prático, um hábito, que faz com que nos acomodemos ao mundo. A vestimenta modela  nosso corpo, promove um ‘alargamento do eu’, como atesta Georg Simmel (2008, p. 70), conferindo “o enaltecimento do eu mediante o existir para os outros e da existência para os outros através do realce e da expansão de si mesmo”. A roupa incide sobre nossa sensibilidade e capacidade sensório-motora (McLuhan, 1964) e, consequentemente, altera a relação do nosso corpo com o ambiente no qual nos inscrevemos. O modo como os corpos percebem e apreendem o mundo, se relacionam, se posicionam e se movimentam está conectado ao espaço que habitam e circulam - arquitetura, traçado e mobiliários urbanos. Tanto o corpo afeta o espaço, como o espaço é afetado pelo corpo (Careri, 2013). A vestimenta e a moda nos conferem um modo de ser, um estilo, um modo de formar (Pareyson, 1993), auxiliando nas dinâmicas performativas de si.

A partir dessas reflexões, buscamos contribuições que se atentem para as dimensões performáticas da apresentação de si, em diálogo com o ambiente que nos circunda. Compreende-se que a moda tem sido um vetor extremamente importante de representatividade e resistência para a visibilidade de aparências múltiplas, conformando outras dinâmicas de reconhecimento da beleza.

Nesse sentido, o dossiê privilegia reflexões que se debrucem sobre: a) a poética performativa do esquema corporal, pelo entrelaçamento entre o corpo, a moda e a arte, evidenciando aspectos da criatividade e sensibilidade humanas, capazes de despertar sentimentos e emoções variadas, promovendo uma verdadeira experiência estética; b) entrelaçamento entre moda e ciências da saúde; c) sobre diálogos entre a estrutura corporal e a espacialidade material, levando em conta o modo como o corpo afeta e é afetado pelo ambiente; d) sobre diálogos entre a estrutura corporal e as instâncias de inserção virtual nas redes digitais; e) sobre os entrecruzamentos entre aparência, gênero e raça, oportunizando a visibilização de corporalidades plurais num mundo cada vez mais múltiplo e diverso; f) a relação do corpo com sua própria imagem, num jogo dinâmico entre apresentação e representação de si.

Desse modo, ensejamos o debate e esperamos colaborações que mobilizem aportes analíticos que dialoguem com a proposta do número e suas elaborações teóricas/conceituais e metodológicas para o campo da Moda e da Aparência de forma ampla. O dossiê articula-se ao campo de investigação do grupo de pesquisa Corpo e Cultura, cadastrado no CNPq, que contempla a inserção da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), da  Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH/USP).

Serão bem-vindas contribuições originais com temática interdisciplinar, a partir dos eixos abaixo elencados, mas não exclusivamente:

 

- Moda, corpo e sensibilidade;

- Moda, corpo e imagem;

- Moda, corpo e arte;

- Poéticas corporais e suas correlações com as práticas vestimentares;

- Poéticas corporais e suas correlações com as práticas cirúrgicas;

- Poéticas corporais e suas correlações com o espaço arquitetônico, urbano e ambiente;

- Poéticas corporais e suas correlações com o espaço virtual;

- As dinâmicas performativas de afirmação de si;

 

Referências Bibliográficas:

 

CARERI, Francesco. Walkscapes - O caminhar como prática estética. Tradução de Frederico Bonaldo. São Paulo: GG, 2013.

McLUHAN, Marshall.  Os meios de comunicação como extensões do homem. Tradução de Décio Pignatari. São Paulo: Editora Cultriz Ltda., 1964.

MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da percepção. Tradução de Carlos Alberto Ribeiro de Moura. São Paulo: Martins Fontes, 1994.

PAREYSON, Luigi. Teoria da formatividade. Tradução de Ephraim Ferreira Alves. Petrópolis, RJ: Vozes, 1993.

SIMMEL, Georg. Filosofia da moda e outros escritos. Tradução de Artur Morão. Lisboa: Edições Texto & Grafia Ltda., 2008.

Appearance, fashion, image, and body polytheism

The dossier aims to address a debate on the various possibilities of body constitutions in contemporary times, from the composition of appearance, through clothing practices, the increasingly intense intertwining of fashion with the health sciences, whether through procedures little invasive, whether through complex and risky surgical incursions, the rising phenomenon of replacing the body with its image and the practice of digital actions that subtract its gestures from the body.

As we know, body image participates in systems of perception, attitudes, and the way we place ourselves in the world. This body scheme, to use Merleau-Ponty's expression, "is a set of preconscious and sub-personal motor performances that play a role [...] in the control of posture, balance, and movement" (1994, p. 196). Implicit in this is an incorporated knowledge, a practical sense, a habit, which makes us comfortable with the world. Clothing shapes our body, promotes an 'enlargement of the self', as attested by Georg Simmel (2008, p. 70), conferring "the exaltation of the self through existing for others and existence for others through enhancement and expansion from yourself". Clothing affects our sensitivity and sensorimotor capacity (McLuhan, 1964) and, consequently, alters the relationship between our body and the environment in which we are registered. The way bodies perceive and apprehend the world, relate to each other, position themselves, and move is connected to the space they inhabit and circulate - architecture, layout, and urban furniture. Both the body affects space, as space is affected by the body (Careri, 2013). Clothing and fashion give us a way of being, a style, a way of forming (Pareyson, 1993), helping in the performative dynamics of the self.

Based on these reflections, we seek contributions that pay attention to the performative dimensions of self-presentation, in dialogue with the environment that surrounds us. It is understood that fashion has been an extremely important vector of representation and resistance to the visibility of multiple appearances, shaping other dynamics of recognition of beauty.

In this sense, the dossier privileges reflections that focus on: a) the performative poetics of the body scheme, through the intertwining between the body, fashion, and art, highlighting aspects of human creativity and sensitivity, capable of awakening different feelings and emotions, promoting a true aesthetic experience; b) intertwining between fashion and health sciences; c) on dialogues between body structure and material spatiality, taking into account how the body affects and is affected by the environment; d) about dialogues between the body structure and instances of virtual insertion in digital networks; e) about the intersections between appearance, gender, and race, providing opportunities for the visibility of plural corporealities in an increasingly varied and diverse world; f) the relationship between the body and its image, in a dynamic game between presentation and self-representation.

Thus, we encourage debate and expect collaborations that mobilize analytical contributions that dialogue with the proposal of the issue and its theoretical/conceptual and methodological elaborations for the field of Fashion and Appearance in a broad way. The dossier is linked to the field of investigation of the research group Body and Culture, registered with the CNPq, which includes the inclusion of the Federal University of Bahia’s Recôncavo (UFRB), the Federal University of Bahia (UFBA), and the School of Arts, Sciences and Humanities at the University of São Paulo (EACH/USP).

Original contributions with an interdisciplinary theme are welcome, based on the themes listed below, but not exclusively:

 

- Fashion, body, and sensitivity;

- Fashion, body, and image;

- Fashion, body, and art;

- Bodily poetics and their correlations with clothing practices;

- Body poetics and their correlations with surgical practices;

- Bodily poetics and their correlations with the architectural, urban, and environmental space;

- Bodily poetics and their correlations with virtual space;

- The performative dynamics of self-affirmation;

Bibliographical references

CARERI, Francesco. Walkscapes - O caminhar como prática estética. Tradução de Frederico Bonaldo. São Paulo: GG, 2013.

McLUHAN, Marshall.  Os meios de comunicação como extensões do homem. Tradução de Décio Pignatari. São Paulo: Editora Cultriz Ltda., 1964.

MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da percepção. Tradução de Carlos Alberto Ribeiro de Moura. São Paulo: Martins Fontes, 1994.

PAREYSON, Luigi. Teoria da formatividade. Tradução de Ephraim Ferreira Alves. Petrópolis, RJ: Vozes, 1993.

SIMMEL, Georg. Filosofia da moda e outros escritos. Tradução de Artur Morão. Lisboa: Edições Texto & Grafia Ltda., 2008.

 

Apparence, Mode, Image et Polythéisme corporel

Le dossier vise à promouvoir une discussion sur les différentes possibilités de constitutions corporelles à l'époque contemporaine, à partir de la composition de l'apparence, par le biais de pratiques vestimentaires, de l'imbrication de plus en plus intense de la mode avec les sciences de la santé, que ce soit par des procédés peu invasifs, ou par des interventions chirurgicales complexes et risquées ou encore, par le phénomène en vogue de remplacement du corps par son image et de la pratique d'actions numériques qui soustraient du corps sa gestuelle.

Comme nous le savons, l'image corporelle participe des systèmes de perception, des attitudes et de la manière dont nous nous situons dans le monde. Ce schéma corporel, pour reprendre l'expression de Merleau-Ponty, « est un ensemble de performances motrices préconscientes et sub-personnelles qui jouent un rôle [...] dans le contrôle de la posture, de l'équilibre et du mouvement » (1994, p. 196). Cela implique implicitement une connaissance incorporée, un sens pratique, une habitude, qui nous accommode avec le monde. Le vêtement façonne notre corps, favorise un « élargissement de soi », comme l'atteste Georg Simmel (2008, p. 70), conférant « l'exaltation de soi par l'existence pour les autres et l'existence pour les autres par la valorisation et l'expansion de soi ». L'habillement affecte notre sensibilité et notre capacité sensorimotrice (McLuhan, 1964) et, par conséquent, modifie la relation entre notre corps et l'environnement dans lequel nous nous trouvons. La façon dont les corps perçoivent et appréhendent le monde, se rapportent les uns aux autres, se positionnent et se mouvement, est liée à l'espace qu'ils habitent et où ils circulent - architecture, agencement et mobiliers urbains. Tant le corps affecte l'espace, que l'espace est affecté par le corps (Careri, 2013). L'habillement et la mode nous donnent une manière d'être, un style, une manière de se former (Pareyson, 1993), contribuant aux dynamiques performatives de soi.

Sur la base de ces réflexions, nous recherchons des contributions qui se penchent sur les dimensions performatives de la présentation de soi, en dialogue avec l'environnement qui nous entoure. On comprend que la mode a été un vecteur extrêmement important de représentation et de résistance à la visibilité des apparences multiples, façonnant d'autres dynamiques de reconnaissance de la beauté.

En ce sens, le dossier privilégie les réflexions qui portent sur : a) la poétique performative du schéma corporel, à travers l'entrelacement entre le corps, la mode et l'art, mettant en lumière des aspects de la créativité et de la sensibilité humaines, capables d'éveiller différents sentiments et émotions, favorisant une véritable expérience esthétique ; b) l’entrelacement entre la mode et les sciences de la santé ; c) les dialogues entre la structure corporelle et la spatialité matérielle, en tenant compte de la manière dont le corps affecte et est affecté par l'environnement ; d) les dialogues entre la structure corporelle et les instances d'insertion virtuelle dans les réseaux numériques ; e) les intersections entre l'apparence, le genre et la race, en offrant des opportunités pour la visibilité des corporéités plurielles dans un monde de plus en plus multiple et diversifié ; f) la relation entre le corps et sa propre image, dans un jeu dynamique entre présentation et représentation de soi.

Nous encourageons ainsi le débat et espérons des collaborations qui mobilisent des contributions analytiques qui dialoguent avec la proposition du numéro et ses élaborations théoriques/conceptuelles et méthodologiques pour le domaine de la Mode et de l'Apparence au sens large. Le dossier est lié au champ d'investigation du groupe de recherche Corps et Culture, enregistré auprès du CNPq, en collaboration avec l'Université fédérale du Recôncavo da Bahia (UFRB), de l'Université fédérale de Bahia (UFBA) et  l'École de Arts, Sciences et Humanités de l'Université de São Paulo (EACH/USP).

Les contributions originales avec un thème interdisciplinaire sont les bienvenues, basées sur les axes listés ci-dessous, mais pas exclusivement :

- Mode, corps et sensibilité ;

- Mode, corps et image ;

- Mode, corps et art ;

- Poétiques corporelles et leurs corrélations avec les pratiques vestimentaires ;

- Poétiques corporelles et ses corrélations avec les pratiques chirurgicales ;

- Poétiques corporelles et leurs corrélations avec l'espace architectural, urbain et environnemental;

- Poétiques corporelles et leurs corrélations avec l'espace virtuel ;

- Les dynamiques performatives de l'affirmation de soi ;

Références bibliographiques:

CARERI, Francesco. Walkscapes - O caminhar como prática estética. Traduction de Frederico Bonaldo. São Paulo: GG, 2013.

McLUHAN, Marshall.  Os meios de comunicação como extensões do homem. Traduction de Décio Pignatari. São Paulo: Editora Cultriz Ltda., 1964.

MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da percepção. Traduction de Carlos Alberto Ribeiro de Moura. São Paulo: Martins Fontes, 1994.

PAREYSON, Luigi. Teoria da formatividade. Traduction de Ephraim Ferreira Alves. Petrópolis, RJ: Vozes, 1993.

SIMMEL, Georg. Filosofia da moda e outros escritos. Traduction de Artur Morão. Lisboa: Edições Texto & Grafia Ltda., 2008.

Número 37:

 

Abordagens Filosóficas do Consumo de Moda

 

Organizadoras:

 

Ana Paula de Miranda (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

Olga Pepece (Universidade Estadual de Maringá)

 

Prazo para envio de artigos: 30 de julho de 2022 – Previsão de publicação: abril de 2023.

 

Abordagens Filosóficas do Consumo de Moda

 

Este dossiê tem como propósito incentivar estudos que articulem consumo, adoção e disseminação do comportamento de moda, com referencial na filosofia, no intuito de fazer uso de abordagens filosóficas que auxiliem o entendimento desse fenômeno oferecendo um espaço para esses diálogos teóricos.

 

O objetivo é analisar as relações de consumo de moda quer sejam estas entre pessoas, entre pessoas e objetos ou entre objetos, e o contexto no qual essas relações se dão enfatizando a compreensão das comunidades de consumo, e o estudo de estratégias, sobretudo de marcas, como recursos de construção de significados entre marcas e sociedade.

 

O interesse está em analisar estudos que usam abordagens filosóficas para o entendimento do comportamento de consumo de moda em contextos variados tais como: vestuário, beleza, influenciadores digitais, tatuagens, ativismo, marcas, luxo, produtos virtuais, ritos, coleções, comportamento de presentear, comportamento desviante, diversidade, pandemia, entre outros.

 

Diante dessas reflexões propomos os seguintes tópicos para o desenvolvimento de diálogos teóricos entre moda, consumo e filosofia:

 

- Consumo de Moda e Sociedade Líquida

- Consumo de Moda e Subjetividade

- Consumo de Moda e Ontologia Orientada a Objetos

- Consumo de Moda e Ambientes Virtuais

- Consumo de Moda e Resistência

- Consumo de Moda e Gênero

- Consumo de Moda e Sociedade do consumo

- Consumo de Moda e Fetichismo

- Consumo de Moda e Mitologia

- E outras relações possíveis

 

Referências:

 

ASKEGAARD, Søren; HEILBRUNN, Benoît (Ed.). Canonical authors in consumption theory. Routledge, 2017.

BARTHES, Roland. Mitologias. Trad. Rita Buongermino, Pedro de Souza e Rejane Janowitzer. Rio de Janeiro: DIFEL, 2003.

BAUDRILLARD, Jean. A Sociedade de Consumo. Rio de Janeiro: Elfos, 1995.

BAUMAN, Zygmunt. A Sociedade Líquida. Folha de São Paulo, v. 19, p. 4-9, 2003.

BRYANT, Levi R. The Democracy of Objects. Open Humanities Press, 2011.

BUTLER, Judith. Feminism and the subversion of the identity. New York and London: Routledge, 1999.

DELANDA, Manuel. Assemblage theory. Edinburgh University Press, 2016.

DEBORD, Guy. A Sociedade do Espetáculo. São Paulo: Contexto, 2001.

FOUCAULT, Michael. História da Sexualidade 3: o cuidado de si. Rio de Janeiro: Graal, 2002.

HAN, Byung-Chul. Sociedade da Transparência. Trad. Enio Paulo Gianchini. Petrópolis: Vozes, 2017.

HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Fenomenologia do Espírito. 1992.

KANG, Eun Jung. A Dialectical Journey Through Fashion and Philosophy. Springer Singapoure, 2019.

LIPOVETSKY, Gilles. O império do efêmero: a moda e o seu destino nas sociedades modernas. São Paulo: Companhia das letras, 1989.

MARX, Karl. O Capital-Livro 3: Crítica da economia política. Livro 3: O processo de circulação do capital. Boitempo Editorial, 2017.

MORIN, Edgar. É Hora de Mudarmos de Via: As Lições Do Coronavírus. Bertrand Brasil Editora SA, 2020.

NIETZSCHE, Friedrich. Trad. FERNANDES, Marcos Sinésio Pereira; DE MORAES, Francisco José Dias. A vontade de poder. Contraponto Editora, 2020.

WITTGENSTEIN, Ludwig. Philosophical Investigations, G.E.M. Anscombe, trans. New York: Macmillan, 1968.

Destacamos que essas são apenas algumas sugestões de diálogos dentre muitas outras que os pesquisadores poderão desenvolver e que serão muito bem-vindas neste dossiê.

 

Fashion consumption philosophical approaches

This dossier aims to encourage studies that link consumption, adoption and dissemination of fashion's behavior, with a reference in philosophy, in order to make use of philosophical approaches to help understanding this phenomenon.

The objective is to analyze fashion consumption relationships, whether they are between people, between people and objects or between objects, and the context in which these relationships occur, emphasizing the understanding of consumer communities, and the study of strategies, especially of brands, as resources for the construction of meanings between brands and society.

The interest resides in offering a space for theoretical dialogues that support studies using philosophical approaches to understand fashion consumption behavior in different contexts such as: garment, beauty, digital influencers, tattoos, activism, brands, luxury, virtual products, rites, collections, gift-giving behavior, deviant behavior, diversity, pandemic, among others.

Given these reflections, we propose the following topics for the development of theoretical dialogues between fashion, consumption and philosophy:

- Fashion Consumption and Liquid Society

- Fashion Consumption and Subjectivity

- Fashion Consumption and Object-Oriented Ontology

- Fashion Consumption and Virtual Environments

- Fashion Consumption and Resistance

- Fashion Consumption and Gender

- Fashion Consumption and Consumer Society

- Fashion Consumption and Fetishism

- Fashion Consumption and Mythology

- And other possible relationships

References:

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We emphasize that these are just a few suggestions for dialogues among many others that researchers will be able to develop and that will be very welcome in this dossier.