Chamada para artigos, resenhas e entrevistas de temática livre fluxo contínuo.

2020-09-28

Chamada para artigos, resenhas e entrevistas de temática livre fluxo contínuo.

Próximos dossiês com chamadas de trabalhos abertas:

• Número 32

Sustentabilidade: um novo olhar sobre a Cultura de moda. Organização:  Neide Schultz (Udesc), Lilyan G. Berlim (ESPM) e Isabel Cantista (Universidade Lusíada do Porto).

Prazo para envio de artigos: 30 outubro de 2020 - Previsão de publicação: agosto de 2021.

SUSTENTABILIDADE: UM NOVO OLHAR SOBRE A CULTURA DE MODA 

A moda e a indústria têxtil constituem um dos maiores segmentos de negócios do mundo. Associada à moda, esta indústria incorpora o sistema de moda atual e, em uma simbiose, chama-se a área de indústria da moda. O segmento, nas ultimas décadas, vem sendo alvo de duras críticas éticas, tanto ambientais como sociais. Tais críticas se dirigem, principalmente, ao que se chama de “moda rápida”, ou fast fashion, um sistema de produção de alta velocidade, integrado às tecnologias de informação, que gerencia lançamentos, vendas, estoques e a manufatura de roupas, transformando fichas técnicas de peças de vestuário em um produto acabado dentro de pontos de venda em poucos dias. O fast fashion é uma consequência das dinâmicas do capitalismo global em busca do menor custo, em um menor espaço de tempo de fabricação, distribuição e venda, baseando-se em trabalho precário (muitas vezes em condições análogas à escravidão), na promoção do hiperconsumo e do descarte rápido de roupas e, consequentemente, no consumo de recursos naturais em escala vertiginosa com impactos ambientais de grande extensão, na padronização do corpo, na difusão de uma sutil homogeneização do parecer promovida pelas mídias de moda, e ainda, na exclusão de consumidores diferenciados, como pessoas com manequins maiores, deficientes físicos e idosos. Tais práticas se estabeleceram na moda nas últimas décadas do século XX como consequência das transformações do capitalismo global.

No modelo de negócio do fast fashion a maximização dos lucros baseou-se na ideia de democratização da moda, uma vez que o design se baseava na recriação de modelos divulgados nas semanas de moda a preços acessíveis a todos – o importante era “estar na moda”. Entretanto, as crescentes denúncias e críticas ao segmento geraram informações o suficiente para começar a reverter o cenário de produção e consumo de moda que se construiu nas últimas décadas. Além de assistirmos ao nascimento e amadurecimento de novas gerações, mais conscientes e críticas, assistimos também o mercado se alterar. Por conta da necessidade do próprio sistema capitalista de se transformar à luz dos valores da sustentabilidade promovidos pela Agenda 21 das Nações Unidas, o modelo do fast fashion vem sendo revisto de maneira a atender uma crescente demanda social por sustentabilidade - demanda esta que se estende do nível individual para o coletivo em várias instâncias. Encontramo-nos nesse momento de transição, onde práticas antigas tendem a se tornar obsoletas e serem substituídas por novas práticas e conceitos determinados por novas subjetividades.

A moda, muito mais do que imposição de padrões, é um sistema de linguagem, um discurso de ideias transformado em produtos que expressam valores e preocupações socioculturais de uma determinada época. Portanto, nas os últimos dez anos, expressando as conjunturas socioculturais contemporâneas, assistimos o início de uma reconfiguração no campo de design de moda. Novas gerações, providas de informações sobre a insustentabilidade da indústria da moda, promoveram o surgimento de movimentos que integram as críticas contemporâneas à moda e propõem soluções práticas e ideológicas para a área. Podemos citar o movimento do slow fashion e aqueles da moda sustentável, eco moda, moda ética, ecofashion, etc. Mais do que integrarem críticas, esses movimetnos adentraram o mercado fazendo surgir marcas de moda que se configuram dentro do escopo da sustentabilidade e da ética, que incorporam novas formas econômicas como economia criativa, circular, compartilhada, solidária e associativa, bem como novas práticas como o DIY (faça você mesmo), o sharing (compartilhamento) e o open source design (fonte aberta de design). Essas gerações também demandaram novos conhecimentos que enriqueceram e redimensionaram a área acadêmica, além de implementarem novas maneiras de se criar, fazer, gestar, comercializar e consumir moda.

A difusão da informação tem um papel fundamental neste processo, portanto, o crescimento das pesquisas científicas, os conteúdos gerados em redes, e os eventos produzidos na área fazem parte da transformação do campo. Na academia destacamos o Center of Sustainable Fashion (Centro de Moda Sustentável) da Universidade de Artes de Londres. Em termos de integração em rede, destacamos a ONG Fashion Revolution, que pode ser considerada a mais forte expressão de ativismo em rede na moda. E em se falando em eventos, destacamos Global Fashion Conference (Conferência Global da Moda) e aqueles organizados por segmentos do terceiro setor e financiados por marcas e/ou pelo Estado, como a Conferência de Moda de Copenhague (Copenhagen Fashion Summit) organizado pelo Instituto de Moda Dinamarquesa e pela Associação Nórdica de Moda (uma instância pública), e patrocinado por varejistas globais, especialmente a sueca H&M.

Marcas que se autonominam sustentáveis, éticas ou slow fashion, e iniciativas como venda de roupas de segunda mão, trocas, negócios associativos e ateliês de roupas sob medida fazem parte deste cenário uma vez que, geralmente, desfrutam de atributos comuns: reuso, upcycling, redução do consumo, reciclagem; uso de fibras orgânicas; inclusão da diversidade social e cultural em pareceres individualizados; diversidade de estilos; respeito às fases do ciclo de vida do corpo (caso da inclusão dos consumidores idosos) e às suas diferenças (caso dos tamanhos maiores e das deficiências físicas, e das diferentes identidades de gênero); produções locais; preservação de práticas têxteis tradicionais e artesania; cuidado na confecção e manutenção das roupas; estabelecimento de relações de confiança entre produtores e consumidores; difusão da ideia de “retorno à roupa” ao invés da proeminência dos ciclos da moda; respeito às histórias e memórias das roupas; consciência acerca dos impactos gerados pelo uso e fabricação das roupas; minimização de impactos ambientais e sociais e maximização de capitais culturais e sociais; parcerias com centros de pesquisas universitários, ONGs e associações; aderência a processos de compartilhamento de saberes e empoderamento; prática de fair trade e/ou precificação real, incorporando custos ambientais e sociais; produção em escalas pequenas e médias e, finalmente, ativismo político (Berlim e Portilho, 2020) ..

Essas novas estratégias e iniciativas alternativas, sob a luz da sociologia, configuram-se como posicionamentos políticos. Afinal, o design se manifesta política e socialmente desde o uso emblemático de jaquetas de couro preto pelos membros do Partido Black Panters, passando pelas roupas criadas Stella MCCartney como a faux fur,ou os sapatos vegan, em movimentos culturais diversos, que expressam a valorização de uma moda mais sustentável, englobando uma perspetiva ética. Assim, assistimos também um levante de ativismo no campo, uma vez que todos os movimentos são gerados a partir do engajamento em causas conectadas a agenda social contemporânea.

Todas estas manifestações são construções que, interagindo em meio às condições ambientais, políticas, econômicas e sociais, reconstroem a academia, o mercado e o consumo de moda. O que assistimos, hoje, no campo da moda, mesmo que ainda timidamente, encoraja as mudanças na sociedade capitalista e alinham-se como o retorno, ou as respostas, de um design de moda que não está desligado do ser humano e é visto sob uma forma holística. Assim, consideramos que além de novas formas produtivas e de consumo, a área do design e seu papel na produção dos produtos, tem uma implicação fundamental nas mudanças em curso.

Este dossiê tem como objetivo organizar artigos, entrevistas e resenhas que tratem das temáticas acima mencionadas. Estão todos/as convidados/as a participar.

Referências Bibliográficas

Berlim, L.; Portilho, F. (2020). Consumo e Politização, Vestindo Novas Camisas. In Russo, B.; Berlim, L. Políticas Periféricas para um Design responsável Rio de janeiro, RJ. E-papers. (pp.25-36).

Castilho, K. ; Martins, M. Discursos da moda: semiótica, design e corpo. São Paulo, SP. Anhembi Morumbi, 2005.

  

SUSTAINABILITY: A NEW LOOK AT FASHION CULTURE    

 

Fashion and the textile industry are one of the largest business segments in the world. Associated with fashion, this industry incorporates the current fashion system and, in a symbiosis, is called the fashion industry area. The segment, in recent decades, has been the target of harsh ethical criticisms, both environmental and social. Such criticisms are mainly directed to what is called “fast fashion”, or fast fashion, a high-speed production system, integrated with information technologies, which manages launches, sales, stocks and the manufacture of clothing, transforming tokens techniques of garments in a finished product within points of sale in a few days. Fast fashion is a consequence of the dynamics of global capitalism in search of the lowest cost, in a shorter time of manufacture, distribution and sale, based on precarious work (often in conditions similar to slavery), in the promotion of hyper consumption and the fast disposal of clothes and, consequently, the consumption of natural resources on a dizzying scale with large environmental impacts, in the standardization of the body, in the diffusion of a subtle homogenization of the opinion promoted by the fashion media, and also, in the exclusion of differentiated consumers, such as people with larger mannequins, disabled people and the elderly. Such practices were established in fashion in the last decades of the 20th century as a consequence of the transformations of global capitalism.

In the fast fashion business model, the maximization of profits was based on the idea of democratization of fashion, since the design was based on the recreation of models released during fashion weeks at prices accessible to all - the important thing was “to be in fashion” ”. However, the growing denunciations and criticisms of the segment have generated enough information to begin to reverse the scenario of production and consumption of fashion that has been built in the last decades. In addition to watching the birth and maturation of new generations, more aware and critical, we have also seen the market change. Due to the need of the capitalist system itself to transform itself in the light of the sustainability values promoted by the Agenda 21 of the United Nations, the fast fashion model has been revised in order to meet a growing social demand for sustainability - a demand that extends from the individual level to the collective in several instances. We find ourselves in this moment of transition, where old practices tend to become obsolete and to be replaced by new practices and concepts determined by new subjectivities.

Fashion, much more than the imposition of standards, is a system of language, a discourse of ideas transformed into products that express sociocultural values and concerns of a given time. Therefore, in the last ten years, expressing contemporary sociocultural conjunctures, we have witnessed the beginning of a reconfiguration in the field of fashion design. New generations, provided with information about the unsustainability of the fashion industry, promoted the emergence of movements that integrate contemporary criticism to fashion and propose practical and ideological solutions for the area. We can mention the slow fashion movement and those of sustainable fashion, eco fashion, ethical fashion, ecofashion, etc. More than integrating criticism, these movements entered the market, giving rise to fashion brands that are configured within the scope of sustainability and ethics, which incorporate new economic forms such as creative, circular, shared, solidary and associative economics, as well as new practices such as DIY (do it yourself), sharing and open source design. These generations also demanded new knowledge that enriched and resized the academic area, in addition to implementing new ways of creating, making, managing, selling and consuming fashion.

The dissemination of information has a fundamental role in this process, therefore, the growth of scientific research, the content generated in networks, and the events produced in the area are part of the transformation of the field. At the academy we highlight the Center of Sustainable Fashion at the University of Arts in London. In terms of network integration, we highlight the NGO Fashion Revolution, which can be considered the strongest expression of network activism in fashion. And speaking of events, we highlight the Global Fashion Conference and those organized by segments of the third sector and financed by brands and / or the State, such as the Copenhagen Fashion Summit organized by the Institute Danish Fashion and the Nordic Fashion Association (a public body), and sponsored by global retailers, especially the Swedish H&M.

Brands that call themselves sustainable, ethical or slow fashion, and initiatives like selling second-hand clothes, exchanges, associative businesses and clothing ateliers are part of this scenario since they generally enjoy common attributes: reuse, upcycling, reduced consumption, recycling; use of organic fibers; inclusion of social and cultural diversity in individualized opinions; diversity of styles; respect for the phases of the body's life cycle (case of the inclusion of elderly consumers) and their differences (case of larger sizes and physical disabilities, and different gender identities); local productions; preservation of traditional textile practices and craftsmanship; care in making and maintaining clothes; establishment of relationships of trust between producers and consumers; dissemination of the idea of “return to clothing” instead of the prominence of fashion cycles; respect for the stories and memories of the clothes; awareness of the impacts generated by the use and manufacture of clothes; minimizing environmental and social impacts and maximizing cultural and social capital; partnerships with university research centers, NGOs and associations; adherence to knowledge sharing and empowerment processes; practice of fair trade and / or real pricing, incorporating environmental and social costs; small and medium scale production and, finally, political activism (Berlin and Portilho, 2020) ..

These new strategies and alternative initiatives, in the light of sociology, are configured as political positions. After all, design manifests itself politically and socially, from the emblematic use of black leather jackets by members of the Black Panters Party, to the clothes created by Stella MCCartney, such as faux fur, or vegan shoes, in different cultural movements, which express the appreciation more sustainable fashion, encompassing an ethical perspective. Thus, we have also seen an upheaval of activism in the field, since all movements are generated from engagement in causes connected to the contemporary social agenda.

All these manifestations are constructions that, interacting in the midst of environmental, political, economic and social conditions, reconstruct the academy, the market and the fashion consumption. What we see today in the field of fashion, even if still timidly, encourages changes in capitalist society and is aligned with the return, or the responses, of a fashion design that is not disconnected from the human being and is seen under a holistic way. Thus, we consider that in addition to new forms of production and consumption, the area of design and its role in the production of products, has a fundamental implication in the changes underway.

This dossier aims to organize articles, interviews and reviews that deal with the themes mentioned above. Everyone is invited to participate.

Bibliographical references

Berlim, L.; Portilho, F. (2020). Consumo e Politização, Vestindo Novas Camisas. In Russo, B.; Berlim, L. Políticas Periféricas para um Design responsável Rio de janeiro, RJ. E-papers. (pp.25-36).

Castilho, K. ; Martins, M. Discursos da moda: semiótica, design e corpo. São Paulo, SP. Anhembi Morumbi, 2005.

 

• Número 33

Fat Fashion: Perspectivas Interculturais. Organização: Aliana Barbosa Aires (UFPI) e Lauren Downing Peters (Columbia College Chicago). 

Prazo para envio de artigos: 15 março de 2021 - Previsão de publicação: dezembro de 2021.

FAT FASHION: PERSPECTIVAS INTERCULTURAIS

Em seu livro Fat: A Cultural History of the Stuff of Life, Christopher E. Forth observa que existe uma “divisão geográfica entre o Ocidente e 'o resto'” quando se pensa em corpo gordo, o que perpetua “algumas suposições amplamente compartilhadas”na literatura acadêmica (2019, p. 8). Enquanto a “obesidade” é muito criticada como uma praga do capitalismo tardio que afeta desproporcionalmente a sociedade ocidental e, em particular a norte-americana, as culturas consideradas não ocidentais são frequentemente congeladas em um passado mítico no qual a gordura é venerada como um símbolo de saúde, riqueza e fertilidade. Essa perspectiva é sublinhada pela presunção de que o estigma da gordura é um fenômeno distintamente moderno, nascido da revolução industrial, da produção manufaturada em massa e da cultura de consumo. Tais premissas criaram uma dicotomia na qual a gordura é enquadrada como um "problema" que precisa ser investigado nos contextos ocidentais, enquanto é subexaminada além da estrutura ocidental.

A história, a cultura e a teoria a respeito do corpo gordo foram investigadas em grande profundidade nos Estados Unidos, onde o campo interdisciplinar conhecido como Fat Studies ganhou força ao longo da última década, influenciando o trabalho em campos de estudo adjacentes. No campo dos Fashion Studies, o crescente interesse acadêmico pelo corpo gordo se manifestou em um pequeno corpo de pesquisa interdisciplinar que examina a história, a teoria e a prática da moda "plus size" ou “Fat Fashion”, focado em geral na experiência norte-americana (e, em menor grau, britânica e canadense). Os estudiosos que trabalham no campo dos Fashion Studies e de disciplinas afins examinaram revistas e blogs de moda que defendem a positividade corporal em relação ao tamanho grande, a história inicial da indústria de vestuário para tamanhos grandes, a representação de corpos gordos na mídia de moda e a experiência de compra do consumidor gordo, entre outros tópicos enraizados na mídia ocidental, como arquivos e históricos de marcas. Embora este importante trabalho preencha uma lacuna na literatura da moda, que há muito tempo marginaliza os corpos de "Outros", também perpetua a ideia incorreta de que a moda é uma construção distintamente ocidental.

Embora o conceito de "ocidental" e "não ocidental" seja controverso e um tema constante de debate acadêmico, aqui entendemos os países "ocidentais" como aqueles que estiveram no centro dos estudos sobre moda e corpo gordo, como os Estados Unidos Estados, Canadá, Europa e Reino Unido, enquanto o que chamamos de países “não ocidentais” são as regiões que foram marginalizadas ou “esquecidas” na literatura de moda internacional - especialmente a América Latina, Ásia e África. Ao expandir e descentralizar a pesquisa sobre Fat Fashion além da estrutura ocidental, convidamos os colaboradores a explorar a moda para corpos gordos nos contextos global e local - considerando como ideias sobre beleza, corpo e moda mudam através de fronteiras culturais, evoluem no tempo e afetam diferentes grupos de maneiras distintas.

Os tópicos a serem explorados incluem:

• Blogueiros e influenciadores de moda;

• As histórias de marcas de moda de tamanho grande não ocidentais;

• Aspectos históricos do uso e produção de roupas em tamanho grande em diferentes contextos culturais nos séculos XVIII, XIX e XX;

• Design ergonômico para corpos gordos e novas técnicas (modelagem de moda, moulage, etc.) para produzir tamanhos grandes;

• Principais desafios e problemas a serem superados na indústria global de Fat Fashion;

• Revistas de moda especializadas no público gordo em países não ocidentais;

• O desenvolvimento de grades de numeração ou padrões de tamanho de roupas em diversas culturas;

• Necessidades, experiências e engajamento do consumidor gordo no mercado de moda;

• Experiência de compra no varejo em lojas físicas e espaços online especializados no mercado plus size;

• Novas proposições, práticas e metodologias de Design para uma educação de moda inclusiva no que diz respeito ao tamanho;

• Estigma em relação ao corpo gordo e práticas de moda para tamanho grande em diferentes contextos culturais: limites, diferenças e semelhanças;

• Perspectivas que consideram corpos gordos na literatura acadêmica de moda e de moda na literatura acadêmica de estudos sobre o corpo gordo;

• A marginalização do corpo fora do padrão dominante no jornalismo e curadoria de moda;

• Análise da produção publicitária de moda plus size, especialmente comparações entre abordagens ocidentais e não ocidentais;

• Ativismo gordo na moda online e offline, incluindo perspectivas globais e locais;

• Representações culturais e discursos sobre corpo gordo na moda veiculados pelo circuito midiático mainstream;

• O mercado de modelos de tamanho grande no mundo, incluindo padrões corporais, definição e classificação de corpos e estéticas;

• Padrões de beleza no que diz respeito ao tamanho corporal em contextos culturais distintos;

• Tamanho grande e gênero, especialmente diferenças na maneira como os corpos gordos masculinos e femininos se vestem nas culturas ocidentais e não ocidentais;

• E estudos que exploram as interrelações gordura, classe e raça.

Referências Bibliográficas

Forth, Cristopher E. Fat: A Cultural History of the Stuff of Life. London: Reaktion Books, 2019.

FAT FASHION: CROSS-CULTURAL PERSPECTIVES

In his book, Fat: A Cultural History of the Stuff of Life, Christopher E. Forth observes that there exists a “geographic division between the West and ‘the Rest’” when thinking about fat, which perpetuates “some broadly shared assumptions” in the scholarly literature (2019, p. 8). While “obesity” is much maligned as a plague of late-Capitalism that disproportionately affects Western, and particularly American society, non-Western cultures are often frozen in a mythic past in which fat is venerated as a symbol of health, wealth and fertility. This perspective is underscored by the presumption that fat stigma is a distinctly modern phenomenon, born out of the industrial revolution, mass manufacturing and consumer culture. Such assumptions have set up a dichotomy in which fat is framed as a “problem” in need of investigating within Western contexts, while it goes under-examined beyond the Western frame.

The history, culture and theory of fat have been studied in great depth in the United States, where the interdisciplinary field of fat studies has gained traction over the last decade—influencing work in adjacent fields of study. Within the field of fashion studies, the growing scholarly interest in the fat body has manifested in a small body of interdisciplinary research that examines the history, theory and practice of fat or “plus-size” fashion, which centers by-and-large on the American (and to a lesser extent, British and Canadian) experience. Scholars working within the field of fashion studies and its sister disciplines have examined fat positive fashion magazines and blogs, the early history of the large-size garment industry, the representation of fat bodies in the fashion media and the experience of shopping while fat, among other topics rooted in Western media, archives, brand histories and retail spaces. While this important work fills a gap in the fashion literature, which has long marginalized “Other” bodies, it also perpetuates the incorrect idea that fashion is a distinctly Western construct.

Although the concept of “Western” and “non-Western” is contentious and the topic of scholarly debate, here, “Western” countries are understood as those that have been at the center of fashion studies and fat studies scholarship, such as the United States, Canada, Europe and the United Kingdom, while the “non-West” includes countries and regions that have been marginalized or forgotten within the published fashion literature—especially Latin America, Asia and Africa. In expanding and de-centering the research on fat fashion beyond the Western frame, we invite contributors to explore fat fashion (broadly defined) within global and local contexts—considering how the ideas about beauty, embodiment and fashionability shift across cultural boundaries, evolve over time and affect different groups in different ways.

Topics to be explored include:

  • Fat fashion bloggers and influencers
  • The histories of non-Western, plus- or large-size fashion brands
  • Historical aspects of the uses and production of large-size clothing in different cultural

contexts in the 18th, 19th and 20th centuries;

  • Ergonomic design for fat bodies and new techniques (fashion draping, patternmaking,

etc.) used to produce large-sizes

  • Challenges and problems to overcome in the globalized fat fashion industry
  • The development of clothing size standards across cultures
  • Large-size consumer needs, experience and engagement in the fashion market
  • Retail shopping experiences in physical stores and online spaces specializing in the plus-size market
  • The collection and display of large-size dress in fashion museums, university study collections and private archives
  • New design insights, practices and methodologies for a size inclusive fashion education
  • Fat stigma and how it affects fashion and dress practices in different cultural contexts: boundaries, differences and similarities
  • Perspectives that consider fat bodies in the fashion literature and of fashion in the fat

studies literature

  • The marginalization of the non-standard body in fashion writing and curating
  • Plus size fashion advertising analyses, especially comparisons between Western and

non-Western approaches

  • Fat activism in fashion online and offline, including global and local perspectives
  • Cultural representations and discourses of the dressed fat body in mainstream media
  • Plus-size models around the globe, including body standards, definition and classification
  • Beauty standards with regard to size across distinct cultural contexts
  • Large-sizes and gender, especially differences in how male and female fat bodies are

dressed in Western and non-Western cultures

  • And studies that explore the intersections of fatness, class and race.

References

Forth, Cristopher E. Fat: A Cultural History of the Stuff of Life. London: Reaktion Books, 2019.

• Número 34:  

Moda, do-it-yourself e culturas globais digitais/Fashion, do-it-yourself and global digital cultures. Organização: Maria Claudia Bonadio (UFJF) e Paula Guerra (Universidade do Porto)

Prazo para envio de artigos: 30 de julho de 2021 - Previsão de publicação: abril de 2022.

MODA, DO-IT-YOURSELF E CULTURAS GLOBAIS DIGITAIS

A partir de meados da década de 1970, a noção de cultura do-it-yourself (DIY) progrediu de um ethos de resistência à indústria da música mainstream, centrado no punk, para uma estética mais amplamente endossada que sustenta uma ampla esfera de produção cultural alternativa (Bennett, 2018; Guerra, 2017). Embora não evitando preocupações contra-hegemónicas, esta transformação do DIY no que razoavelmente se poderia chamar uma "cultura alternativa" global também o viu evoluir para um nível de profissionalismo que visa assegurar a sustentabilidade cultural e, sempre que possível, económica. A neste ensejo, a moda prefigura-se como um domínio artístico crucial de abordagem da cultura contemporânea.

Vejamos a história: o contacto inicial com o punk efetuava-se, grosso modo, através das bandas e dos média musicais. Com isto emergiu uma indumentária, que dependia de um saber-fazer DIY, bem como de compras nas poucas lojas de roupa disponíveis e de encomendas por correio. Assim, em locais de pequena dimensão, o fluxo de informações sobre moda dependia de um conjunto de espaços, como bares e discotecas. Os jovens iam ver bandas punk e isso fornecia-lhes um padrão que podiam imitar. Outra fonte de informação eram revistas, em que era possível, primeiro, encontrar fotos de punks e retirar daí ideias e influências; segundo, nestas revistas existia publicidade a roupa e acessórios punk (Cartledge, 1999). Tudo isto fazia com que a moda punk local crescesse e se modificasse. Mas sempre ligada com um sistema cultural mais amplo. Cartledge (1999) postulou cinco fases da moda punk: em 1975, experimentava-se um estilo pré-punk, influenciado por David Bowie e Roxy Music, e por experimentações DIY; entre 1975-1978, o foco orientou-se para um estilo exclusivo de Londres e de lojas como a Sex e Seditionaries; entre 1976-1979, emergiu um estilo dark urbano que coexistiu com o anterior, baseado em experimentações e alterações DIY, como sandálias de plástico, t-shirts feitas em casa com slogans ou nomes de bandas, roupa militar, etc.; de 1979 em diante, na indumentária punk mais conhecida, em parte derivada da indumentária rock, assume proeminência o casaco de cabedal, Dr Martens e calças bondage, entre outras coisas; de 1980 em diante, praticamente a mesma coisa que o ponto anterior, apenas com moicanos cada vez mais exagerados, piercings e modificações corporais mais extremas, bem como um estilo mais marcado por doutrinas políticas.

Durante precisamente os anos 1980, a desindustrialização no Norte Global contribuiu ainda mais para a prevalência de discursos DIY na música, nas práticas culturais e estilísticas associadas num sentido global mais amplo. Da mesma forma, a facilidade com que os jovens, e na verdade as gerações posteriores, podem ver a moda e outras práticas criativas como ocupações viáveis também evoluiu globalmente, muitas vezes em conjunto com um código de política e prática cultural DIY fortemente articulado. Esta evolução da cultura DIY num sentido global mais amplo é extremamente significativa, sobretudo devido à demonstração do DIY como uma linguagem de ação e intenção mais comummente adotada por um conjunto cada vez mais amplo de produtores culturais e seus públicos (Bennett & Guerra, 2019).

Outrora utilizado como meio de denotar bolsas de resistência às formas tradicionais de música e à produção cultural, o DIY tornou-se agora sinónimo de um ethos mais amplo de política de estilo de vida que une as pessoas em redes de produção cultural alternativa e translocal. No mesmo período, a rápida emergência da tecnologia digital criativa, embora não democratizando o processo de produção cultural num sentido universal, dadas as implicações de custo envolvidas na aquisição dessa tecnologia para uso pessoal, tornou mais fácil para um número crescente de pessoas - incluindo jovens - obter os meios para criar e divulgar os seus próprios produtos culturais, nomeadamente moda. Como isto sugere, o efeito combinado de tais mudanças socioeconómicas e tecnológicas tem ramificações significativas na posição e estatuto do DIY como discurso cultural e prática cultural na era pós-industrial. Artigos, entrevistas e resenhas que tratem das temáticas acima mencionadas serão bem-vindos. Estão todos/as convidados/as a participar.

 

Referências Bibliográficas

Bennett, A.; Guerra, P. (2019). Underground Music Scenes and DIY Cultures. Oxford: Routledge.

Bennett, A. (2018). Conceptualising the relationship between youth, music and DIY careers: A critical overview. Cultural Sociology, doi:10.1177/1749975517750760.

Cartledge, Frank. Distress to Impress? Local Punk Fashion and Commodity Exchange. Roger, Sabin (Ed.). Punk Rock: So What? The Cultural Legacy of Punk (pp. 143–154). Londres: Routledge, 1999.

Guerra, P. (2017). Just can’t go to sleep: DIY cultures and alternative economies from the perspective of social theory. Portuguese Journal of Social Science, 16(3): 283–303.

 

FASHION, DO-IT-YOURSELF AND GLOBAL DIGITAL CULTURES

From the mid-1970s, the notion of do-it-yourself (DIY) culture has progressed from an ethos of resistance to the mainstream music industry, centered on punk, to a more widely endorsed aesthetic that supports a broad sphere of alternative cultural production (Bennett, 2018; Guerra, 2017). While not avoiding counter-hegemonic concerns, this transformation of DIY into what could reasonably be called a global "alternative culture" has also seen it evolve into a level of professionalism aimed at ensuring cultural and, where possible, economic sustainability. At this juncture, fashion prevails as a crucial artistic field of approach to contemporary culture.

Let's look at the story: the initial contact with punk was made, roughly, through the bands and the musical media. With this emerged an outfit, which depended on DIY know-how, as well as shopping in the few clothing stores available and mail order. Thus, in small places, the flow of fashion information depended on a set of spaces, such as bars and discos. Young people would go to see punk bands and this provided them with a pattern they could imitate. Another source of information were magazines, where it was possible, first, to find pictures of punks and draw from them ideas and influences; second, in these magazines there was advertising for punk clothing and accessories (Cartledge, 1999). All this made the local punk fashion grow and change. But always connected with a wider cultural system. Cartledge (1999) postulated five phases of punk fashion: In 1975, a pre-punk style was experimented, influenced by David Bowie and Roxy Music, and by DIY experimentations; between 1975-1978, the focus was on a style exclusive to London and stores such as Sex and Seditionaries; between 1976-1979, a dark urban style emerged that coexisted with the previous one, based on experimentations and DIY changes, such as plastic sandals, homemade t-shirts with slogans or band names, military clothing, etc. From 1979 onwards, in the best known punk outfit, partly derived from the rock outfit, the leather jacket, Dr Martens and bondage pants, among other things, assumed prominence; from 1980 onwards, practically the same thing as the previous point, only with more and more exaggerated Mohicans, piercings and more extreme body modifications, as well as a style more marked by political doctrines.

During precisely the 1980s, deindustrialization in the Global North further contributed to the prevalence of DIY discourses in music, cultural practices and associated stylistics in a broader global sense. Similarly, the ease with which young people, and indeed later generations, can view fashion and other creative practices as viable occupations has also evolved globally, often in conjunction with a strongly articulated DIY code of cultural policy and practice. This evolution of DIY culture in a broader global sense is extremely significant, not least because of the demonstration of DIY as a language of action and intent most commonly adopted by an increasingly wide range of cultural producers and their audiences (Bennett & Guerra, 2019).

Once used as a means of denoting pockets of resistance to traditional forms of music and cultural production, DIY has now become synonymous with a broader ethos of lifestyle policy that unites people in networks of alternative and translocal cultural production. In the same period, the rapid emergence of digital creative technology, while not democratising the process of cultural production in a universal sense, given the cost implications involved in acquiring this technology for personal use, has made it easier for a growing number of people - including young people - to obtain the means to create and disseminate their own cultural products, particularly fashion. As this suggests, the combined effect of such socio-economic and technological changes has significant ramifications for the position and status of DIY as a cultural discourse and cultural practice in the post-industrial era. Articles, interviews and reviews dealing with the above mentioned themes are welcome. You are all invited to participate.

 Bibliographical references

Bennett, A.; Guerra, P. (2019). Underground Music Scenes and DIY Cultures. Oxford: Routledge.

Bennett, A. (2018). Conceptualising the relationship between youth, music and DIY careers: A critical overview. Cultural Sociology, doi:10.1177/1749975517750760.

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