Do objeto de proteção ao signo estético: bricolage e conotação em conjuntura pandêmica
DOI:
https://doi.org/10.26563/dobras.v19i46.1984Palavras-chave:
Semiótica, Cultura material, Linguagem visual, Simbologia do vestir, MáscaraResumo
A pandemia da COVID-19 provocou a emergência de novos dispositivos simbólicos, entre os quais se destaca a máscara cirúrgica enquanto objeto de proteção e consequente signo cultural. Este artigo analisa a transformação da máscara cirúrgica no contexto da moda, a partir de dois eixos principais: a bricolage, enquanto prática de recombinação criativa de materiais, e a conotação, enquanto sistema de produção de significados suplementares. Combinando fundamentação teórica e análise de casos, investigam-se diferentes formas de apropriação da máscara cirúrgica, tanto em contextos improvisados (não planejados) como em contextos profissionais do sistema da moda. O estudo evidencia duas abordagens distintas: (1) uma bricolage realizada fora do sistema da moda, centrada na urgência e na disponibilidade material; (2) uma bricolage planejada, operada por designers e marcas, que reconfigura a máscara como artefato estético e comunicacional. A segunda parte do artigo foca na dimensão conotativa do signo máscara, destacando a sua transformação semântica ao ser integrada na moda, tornando-se adereço e veículo simbólico de discursos identitários, ideológicos e estéticos. Por fim, problematiza-se a articulação entre bricolage e conotação, revelando como a máscara deixa de ser apenas um objeto funcional para se tornar um signo complexo, em trânsito entre saúde, estilo, consumo e cultura visual. O estudo contribui para a compreensão dos mecanismos de ressignificação simbólica de objetos do cotidiano em contextos de crise, evidenciando a interseção entre moda, cultura visual e produção de sentido. Ao analisar um artefato banal transformado em signo cultural, propõe-se um enquadramento teórico para pensar a moda enquanto linguagem e prática social em tempos de mudança.
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